DARÍEN GAP (Parte 2)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #5 da REVISTA OVERLANDER

Um famoso trecho de floresta com algo em torno de 100-160 km e charcos que atravessam as fronteiras colombiana e panamenha. Não só separa dois continentes e corta a rodovia pan-americana, mas também quebra o mito de que se pode dirigir do Ushuaia ao Alasca. É preciso passar de navio pelo mar ou voar de avião! Ao longo dos anos, muitas ideias e projetos foram elaborados, mas, por várias razões políticas, militares e ambientais, todos deram em nada e não há planos para mudar isso tão breve. O Gap permanece.

Apesar da promessa comum de um serviço regular de ferry (balsa), ainda não existe e não há uma solução fácil para contornar o Gap. Todos os anos, overlanders entusiasmados procuram e comparam os vários métodos disponíveis para cruzar da América do Sul para a América Central da melhor forma, e mais econômica possível.

Com isso em mente, convidamos três projetos brasileiros, que acabaram de realizar  a travessia, para compartilhar suas experiências – cada um da sua forma, dando dicas do processo.

Parte 1 aqui >>>> & Parte 3 aqui >>>> 

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BUSCANDO A MELHOR OPÇÃO – O Nosso Quintal

Texto & Imagens: Marcos Gadaian 

Nós havíamos escutado muitas histórias de outros viajantes. Nos falaram de preços absurdos, enorme burocracia, de perigos, de assaltos. Amigos deixaram de cruzar por não conseguirem encontrar um preço razoável. Preferimos não criar nenhuma expectativa, esperar nossa vez, tentar resolver com tranquilidade e gastando o menos possível.

RO-RO

Quando entramos na Colômbia começamos a buscar opções pela internet para cruzar de Cartagena para Colón, Panamá. Nossa “casa” (motorhome) é razoavelmente grande e não cabe dentro de um contêiner, então nossa opção seria subir com o carro diretamente no navio ou colocar em uma plataforma para ser içado por um guindaste! Eles chamam isto de flatbed, mas nós preferimos subir com o carro, o que é chamado de Ro-Ro (Roll on Roll off).

Os primeiros orçamentos que me enviaram eram absurdos, em torno de US$ 5.000,00 a US$ 4.000,00. Continuamos otimistas, sabendo que encontraríamos algo melhor. Percebemos que não estávamos conseguindo ter um retorno diretamente da companhia marítima, mas sim dos intermediadores, das agências aduaneiras, até que um dia nos chegou um orçamento razoável. Seria US$ 1.160,00 pelo serviço do navio, mais taxas portuárias. Quem nos enviou foi uma simpática funcionária, chamada Jessica Mendez (jessica.mendez@hoegh.com), da Companhia Hoegh Autoliners (www.hoeghautoliners.com). Ela nos disse que nem precisaríamos pagar adiantado, que uma vez na cidade do Panamá deveríamos ir até o escritório da companhia pagar e assim liberariam o carro.

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A primeira coisa é definir a data da travessia. Informamos que queríamos para setembro  e ela nos passou o nome do navio e a data que estaria em Cartagena: 9 de setembro, 2016. O carro tem que estar dentro do porto dois dias antes de o navio atracar. Ela nos indicou um agente, mas acabamos não contratando o serviço pois custaria US$ 300,00. Ter um agente facilita quanto a não ter que descobrir sozinho onde ir, o que fazer, mas uma vez no porto, ou na aduana, o agente não agiliza muita coisa, pelo menos foi o que eu vi com europeus que tinham agente e mesmo assim pareciam perdidos ao meu lado.

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DESPACHANDO

Chegamos a Cartagena uma semana antes da partida do navio, para fazer tudo com calma.

#1  O primeiro lugar a que se deve ir é à Sociedad Portuaria de Cartagena, procurar pelo departamento de “Atención Al Cliente”. Eles irão confirmar a data de chegada do navio ao porto e darão as orientações para iniciar os trâmites.
#2  Ir até a DIAN e, no setor de exportações, solicitar o formulário de exportação temporária. Agendarão uma inspeção aduaneira para a data que você disser que entrará no porto. No meu caso, deixaram até o telefone do inspetor aduaneiro.
#3  Para entrar no porto será necessário um seguro de vida. Perto da DIAN encontrei um corretor, eles estão acostumados a providenciar isso — saiu por US$ 23,00.
#4  Retornar à Sociedad Portuaria e apresentar o documento que a DIAN passou. Estando tudo certo eles imprimirão um boleto das taxas portuárias. No mesmo prédio tem um banco, só aceitam em dinheiro — tem um caixa eletrônico. No meu caso foi algo em torno de US$ 185,00. Ao retornar com o boleto pago, eles informarão a data em que poderá entrar no porto e darão uma autorização de entrada que deverá ser apresentada na portaria. O porto de onde zarparia o navio se chama Contecar — fica um pouco afastado da cidade e é gigante!

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#5  No dia combinado vá bem cedo ao porto — não pode ir de bermuda, só de calça, e entre na fila de caminhões para ingressar. Um guarda vai verifiar a autorização de entrada que deram e indicará para qual pátio deverá levar o carro. No meu caso, um funcionário me acompanhou até o pátio e também me emprestou um capacete e um jaleco, que são obrigatórios. Neste momento eu liguei para o inspetor aduaneiro que a DIAN havia me passado o número. Por sorte ele veio em uma hora, olhou o carro e deu um visto nos documentos. É necessário entregar as chaves do carro na “casinha” de controle deste pátio — é um contêiner adaptado para escritório. Eles lhe darão um comprovante de entrega de chaves e a localização do veículo.
#6  Siga caminhando até o escritório da DIAN ainda dentro do porto. Um funcionário da aduana vai verifiar toda a documentação e carimbar com a data, cancelando a Importação Temporária de Veículo de Turista.
#7  Dificilmente você conseguirá fazer mais alguma coisa neste dia, mas antes de sair vá até o escritório da polícia antinarcóticos e peça um modelo da carta de solicitação de vistoria. Também pergunte onde se compram os adesivos para lacrar o carro. Já saberão por quê.

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#8  No outro dia, um dia antes de o navio partir, ir novamente à Contecar bem cedo. Não queriam me deixar entrar, então pedi para ligarem para o funcionário da Atenção ao Cliente da Sociedade Portuária que estava cuidando do meu caso e ele passou uma autorização. Te darão um jaleco e um capacete. Após entrar, ir diretamente ao escritório da polícia com a carta já pronta. Eles carimbarão a carta de solicitação e você deverá apresentar aos policiais de plantão para que inspecionem seu carro. Eles ficam em um lugar superescondido no meio deste porto gigante, mas pergunte e encontrará. Prepare o carro para a inspeção tirando para fora as coisas maiores. Não precisa tirar tudo, deixe os compartimentos abertos. Eles virão com um cão farejador. Estando tudo certo irão lhe perguntar pelos adesivos. Eu não os tinha, então por sorte um alemão que estava ao meu lado, fazendo a mesma inspeção em seu Unimog, me presenteou. Os adesivos servem para lacrar as partes que podem ser abertas facilmente, evitando que alguém do porto coloque drogas no seu carro. Na verdade, isso não faz muito sentido, pois eles continuarão com as chaves do seu carro.
#9  Vá novamente à Sociedade Portuária e confirme e está tudo certo. Mostre toda a documentação, irão confirmar no sistema e ponto, já pode ir tomar uma cerveja na linda cidade de Cartagena!

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PEGANDO NO PANAMÁ

Em Panamá City a primeira coisa que fiz foi ir diretamente ao escritório da Hoegh Autoliners e pagar os US$ 1.160,00 combinados pelo serviço. Me deram um recibo e me entregaram o BL (Bill of Lading), documento muito importante para o desembaraço do carro — que já estava lá no porto de Colón. A travessia foi de apenas dois dias! O porto de Colón se chama Terminal Internacional de Manzanillo.

Colón é uma cidade bem sem graça. Eu tenho filhos pequenos. Se você também tiver, nem pense em levá-los com você, não tem nada de divertido. Minha família ficou na piscina do hotel, se refrescando do calor panamenho. Dividi um táxi com um francês e um alemão que estavam na mesma situação e fomos ao porto de Colón, uma hora aproximadamente. Também há ônibus regulares. As instalações são bem fracas, bem bagunçado. Pela grade eu pude ver nossa querida “casinha”, mas ainda havia muita papelada a ser feita.

Eu cheguei primeiro ao porto, mas logo me disseram que eu deveria ir à aduana, que está fora do porto – mais um táxi, 10 minutos.

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#10  Ir à aduana, que fica em um lugar chamado France Field, é sujo e as pessoas são preguiçosas. É necessário ter uma carta solicitando a entrada do carro no país. Eu tirei uma foto de um modelo. Não há nenhum lugar para escrever e imprimir a carta, então fui novamente de táxi até um centro comercial que fica perto, onde há uma espécie de cibercafé.
#11  Também é necessário fazer um seguro do carro. No mesmo centro comercial há uma loja da Mapfre seguros e uma da AXA, mas só fazem por um ano. Como eu queria por menos tempo acabei indo até a seguradora Fedpa, que fia na Plaza Colón 2000 número 23 — o seguro custou US$ 25,00, acho que por três meses.
#12  Retornei à aduana no France Field com a carta de solicitação e o seguro. Vão te pedir cópia de tudo, passaporte, entrada, habilitação, titulo de propriedade do carro, Bill of Lading. Lentamente farão seu documento de Entrada Temporária de Veículo de Turista. Paguei uns US$ 30,00 para isso.

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#13  Segui com toda a documentação ao Porto de Colón e no piso inferior, onde há um monte de caminhoneiros nas filas de vários guichês, perguntei o que fazer. Um dos guichês é um caixa onde dirão quanto pagar pelos serviços portuários. Paguei em torno de US$ 50,00. O guichê ao lado é o da aduana, onde verifiarão outra vez toda a papelada e aprovarão a liberação do carro. Pergunte umas três vezes se está tudo certo, são muito enrolados.
#14  Siga então para retirar o carro. Tem que sair caminhando do porto até a rua principal, seguindo pela esquerda uns 800 metros até uma portaria, daí eu já conseguia avistar meu carro. O segurança mal-humorado vai ver seu passaporte e vai pedir para aguardar. Aguarde, aguarde mais um pouco. Em um guichê uma senhora irá analisar toda a documentação para autorizar o guarda a abrir o portão. Espere mais um pouco até que o segurança o autorize a entrar. Ele fará uma inspeção no carro e na documentação, vai te indicar para passar por um caminho onde farão a “fumigação”, mais uns US$ 5,00, até que finalmente você estará livre para seguir seu caminho.

Ufa!!! Não desanime. É verdade que é muito vaivém, muita burocracia, mas se fizer com calma, passo a passo, no fim daá tudo certo. São apenas papéis e taxas. Não desista, você ficará muito orgulhoso de si mesmo ao conseguir fazer tudo sozinho.

Ediçao #7 Chegou

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