FLY & DRIVE – China, Tibete e Nepal (Pt 2)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #3 da REVISTA OVERLANDER ou Parte 1 aqui

De sonhos nascem realidades! E aqui não foi diferente. Unidos pelo espírito de aventura e aquela curiosidade nata dos viajantes formamos o grupo de “voluntários” para uma viagem pela China, Tibete e Nepal. Eita aventura boa!

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Texto: Luciana Vidal    Fotos: Luciana Vidal, Pedro Grimaldi e Rogério Cavriani

COMIDA FOI UMA AVENTURA À PARTE!

Uma deliciosa aventura, diga-se de passagem! O café da manhã foi a refeição mais difícil de nos acostumarmos. Nada se assemelhava aos costumes brasileiros. Nada! Tínhamos verduras cozidas apimentadas, amendoim apimentado, coisas estranhas apimentadas… O que mais perto chegava do nosso pão com manteiga e café com leite era algo que deveria ser água de arroz servido num bandejão com concha, guioza e ovo cozido, quando tinha, o que era bem raro. Em um dos hotéis, no check-in nos deram um voucher para ser apresentado no café da manhã; na entrada do restaurante, em troca do tal voucher, nos davam na mão um ovo cozido. Alguma vez perguntamos ao guia se existia iogurte ou algo parecido feito com leite. Sim!, foi a resposta. E no dia seguinte ele apareceu de manhã com alguns potes de iogurte de yak com uma espessa camada de gordura de uns dois dedos e sabor acentuado. Quase uma manteiga. A carne de yak também era parte importante de nossa alimentação nas principais refeições, além da carne de porco e frango, do arroz e de verduras cozidas.

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Mas tínhamos um acordo desde o começo da viagem: não comeríamos nada que não fosse cozido; não beberíamos nada que não estivesse enlatado ou engarrafado e lacrado. Nada de suco de frutas naturais, já que a água usada é a da torneira, sendo ela encanada ou de fonte própria. Quando comíamos frutas, em geral compradas na beira da estrada, higienizávamos com álcool gel. Essa medida visava o sucesso da viagem para todos, uma vez que algum mal estar tão longe de casa e em meio ao nada, por onde andávamos, poderia se transformar em um grande transtorno. Mesmo curtindo a viagem, tínhamos um roteiro e datas a cumprir. Não poderíamos nos dar ao luxo de ter de ficar parados em algum lugar para recuperação de alguém. E cá entre nós, o quesito higiene passa a anos-luz daquilo que temos como base. Mas tudo bem, isso também faz parte!

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Yak é o gado criado por eles. São mais peludos, têm grandes chifres, são baixos e atarracados. Em rebanhos pelas montanhas e nos vastos descampados, seu pastoreio é feito de forma nômade. As famílias se acomodam em tendas montadas com grossas lonas. Há uma pequena cozinha improvisada em um canto e uma estrutura montada em “U” em todo o entorno serve de assento de dia e cama à noite. Uma salamandra instalada no centro serve para aquecimento, alimentada com o estrume seco do gado, já que a região é árida e desprovida de árvores ou algo que possa se transformar em lenha. Aqui nada se perde, tudo se transforma! E o banheiro? Lá fora, em um barracãozinho de 1×1 metro, com um buraco na terra. Simples assim!

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O TIBETE

Em território tibetano, apesar do domínio chinês desde 7 de outubro de 1950, quando o Exército de Libertação Popular impôs sua soberania durante o regime comunista chinês, liderado por Mao Tse Tung, os templos continuam a existir e sua cultura monástica a ser cultivada. Em Lhasa, capital do Tibete, pudemos visitar o imponente Potala Palace, antiga residência do Dalai Lama antes de seu exílio em 1959. No Sera Monastery, próximo à cidade, jovens monges tinham sua iniciação. E o templo Jokang, localizado na praça central da cidade, é o ponto final de peregrinações, muitas delas de milhares de quilômetros.

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Cruzamos com alguns tantos peregrinos em nosso caminho e o ritual impressiona. A cada passo eles se ajoelham, estendem os braços à frente e encostam a cabeça no chão, levantam-se novamente, dão novo passo e repetem os mesmos movimentos. Isso por centenas e muitas vezes milhares de quilômetros. Impossível fiar apático ao ver essas pessoas em suas chegadas!

Em Lhasa também comemoramos o aniversário do Pedrinho em um pub chamado Cogumelo. Muito vinho e boas risadas! E o proprietário do estabelecimento interessadíssimo pelo café brasileiro.

Deste ponto em diante e até a divisa com o Nepal, nossos guias e carros tiveram de ser trocados. Há uma licença especial para poderem seguir rumo à fronteira. Um dos guias que nos acompanhou desde o inicio até aqui não tinha essa permissão. Seu pai, com ele e seus irmãos, tinham fugido pelas montanhas. Sua mãe ficou e trabalhava para o sustento deles, mas ao retornarem, ficaram fichados como ex-fugitivos e não tinham permissão para se aproximar da fronteira. Se fossem pegos além dali, seriam condenados.

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ACIMA DAS NUVENS

A partir de Lhasa, começamos a “andar pelas nuvens”. Altitude batendo toda hora na casa (e acima) dos 5.000 metros. A paisagem era de tirar o fôlego! Picos nevados, lagos turquesa, bandeirolas flamulando ao ento por toda parte (e que vento!), um frio do cão, mas lá estava ele: o Everest! Com seus 8.844 metros, a montanha mais alta da Terra. Cume eternamente branco. Ar rarefeito. Imponente. Plácida. O sonho dos maiores montanhistas. E neste ambiente chegamos a um dos acampamentos base, no mesmo estilo das tendas dos criadores nômades, já dentro da Reserva Natural de Qomolangma, que signifia “Deusa Mãe da Terra” em tibetano. Reverenciamos este momento contemplando o pôr do sol e o nascer dele no dia seguinte. Não poderia ter sido diferente! E uma pequena caminhada se assemelhou a uma maratona para nós. Quanta força e energia no ar! E para o mal de altitude, Coca-Cola quente com gengibre. E não é que dá certo?

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E assim continuamos pelas montanhas. Quanto mais nos aproximávamos do Nepal, mais verde fiava a paisagem. De carro, chegamos até bem próximo à fronteira, mas o carro não atravessaria. Nem os guias. Uma ponte separava os dois países e do outro lado outros dois carros deveriam nos esperar, mas a travessia seria feita a pé, cada um com sua bagagem e a sorte a nos acompanhar em meio à zona comum das fronteiras. Do lado de lá teríamos que identifiar quem nos esperava, ou seríamos novamente analfabetos, em meio ao nada, em algum lugar perdido deste mundão. Não dava para negar alguma apreensão! Em meio à multidão, eis que surge uma plaquinha com a qual nos identifiamos, ufa!

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O NEPAL

Entre China e Tibete mal notamos a transição. Fronteira não definida assim como a paisagem. E com os anos de domínio chinês, tudo fiou meio misturado. Nos grandes centros urbanos, por onde circulamos nos primeiros dias de viagem, algo se assemelhava e nos era familiar, de certa forma. Já no Nepal a coisa mudou de figura. Para começar, dirige-se na mão inglesa e a desorganização no trânsito nos impediu completamente de seguir o revezamento na direção. Fisicamente são muito parecidos com os indianos. Pele marrom, não muito altos, e as vestes femininas, chamadas de guniu, traje parecido com os sáris indianos, realmente chamam a atenção pelo colorido vibrante contrastando com a cor da pele e o negro dos cabelos. Lindo de ver!

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Na chegada a Kathmandu, o hall de entrada do hotel era só bagagem das expedições. Esta é uma região muito procurada para trekking, além das escaladas, claro. Nos dias que se seguiram, visitamos Boudhananth, a Pagoda Gigante, patrimônio mundial pela Unesco; a interessantíssima cidade antiga de Bhaktapur, com todas as suas construções típicas e personagens folclóricos. Gostamos tanto que acabamos voltando em um dia com programação livre. Também assistimos a uma cerimônia de cremação ao lado de um rio, para onde vão as cinzas depois de os corpos serem queimados em uma fogueira ali mesmo, a céu aberto e na frente de todos. Impressiona!

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Seguimos para Pokhara, a 200 km de Kathmandu. Demoramos 6 horas, devido à precária estrada e ao congestionamento. À frente, seguiam ônibus carregando de tudo. Além de pessoas penduradas, tinha desde bichos até moto no teto. Mas a viagem foi “paga” com um espetacular nascer do sol na cordilheira, além de um safári fotográfio no Royal Chitwan National Park.

Estabelecido em 1973, este parque localiza-se no centro-sul do Terai, Nepal, nas planícies que antecedem os Himalaias, fazendo divisa com a Índia. É tido como um dos últimos redutos da selva asiática, abrigando rinocerontes, crocodilos, ursos indianos, talvez ainda algum tigre de Bengala, elefantes e veados. Nossa visita incluiu uma descida de canoa pelo rio, seguida de uma caminhada e fializada com um passeio de elefante. Vimos um pouco de quase tudo. Super valeu!

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E para fechar nossa viagem com chave de ouro, um sobrevoo pela cordilheira do Himalaia. Já que chegar ao cume do Everest será algo muito improvável para um de nós, voluntários desta viagem, por aqui pelo menos chegamos bem próximo. E confesso, continua sendo impressionante, independentemente do ângulo que você esteja. Desde a terra ou do ar!

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Como já disse antes, eita viagem boa!

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Ediçao #6 Chegou

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