FLY & DRIVE – Terra do Fogo e do Gelo (Parte 1)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #5 da REVISTA OVERLANDER

Um dos lugares mais exóticos no “cardápio” dos overlanders. Remoto, selvagem e com acesso muito difícil, é um atrativo almejado por muitos. Confira o relato de dois projetos brasileiros e suas experiências por este incrível país.

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ISLÂNDIA, ONDE VIVE A NATUREZA

Texto e Imagens: Bruno Nonogaki e Elina Okamura

Vento. Chuva. Frio.

Foi assim que a Islândia nos deu boas-vindas naquela manhã de 16 de outubro.

Optamos por viajar no final do outono para aproveitar os dias relativamente longos, não tão frios, e nutrir uma (pequena) esperança de ver a Aurora Boreal. Em contrapartida, sabíamos que outubro costuma ser um mês de muita chuva e ventos fortes. Além disso, a baixíssima temporada fez com que a maioria dos campings estivessem fechados.

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Ainda no aeroporto, pegamos a nossa camper alugada na Camper Van Iceland, que oferecia um preço melhor. Uma Renault Kangoo adaptada, com um colchão de casal na parte de trás, além de sacos de dormir, aquecedor a diesel, utensílios básicos de cozinha e internet. Era tudo de que precisávamos!

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O roteiro planejado era percorrer a Rodovia 1 (Ring Road) em toda a sua extensão, com alguns desvios por estradas menores. Esse circuito, que optamos por fazer no sentido horário, nos faria dar uma volta na Islândia, iniciando e terminando na capital Reykjavík.

Cada região percorrida foi como uma etapa de um relacionamento que tivemos com a Islândia. Como todo início, começamos receosos, aos poucos um foi conquistando o outro, e no final teve até presentes e despedida.

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REGIÃO OESTE: A ISLÂNDIA DE POUCOS AMIGOS

início da viagem foi debaixo de um tempo terrível. Após uma noite de muito vento na cidade de Akranes, fomos visitar as cachoeiras Barnafoss e Hraunafossar, que estavam ainda mais lindas com as cores do outono. O céu fingia que ia abrir, mas logo nos enganava com rápidos chuviscos. No entanto, foi quando chegamos ao Parque Nacional Snæfellsjökull que a Islândia mostrou toda a sua força, com ventos sibilantes e uma chuva lateral que ia e vinha. Percorremos toda a costa da península maravilhados com o poder da natureza. As nuvens traziam uma atmosfera cinzenta e misteriosa para a linda paisagem do oeste islandês. Da estrada dava para ver as ondas escalando os penhascos com uma força descomunal.

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Fizemos uma parada na cidade de Helissandur, ambos tensos e receosos. Foi então que começamos a nos situar onde estávamos: uma ilha vulcânica de onde são originadas as lendas recheadas de fantasias, nas quais, em sua maioria, a magia da natureza é a protagonista. Chegamos à conclusão de que ali a natureza teria o seu papel devidamente protagonizado, a sua energia sentida e o seu estado de humor respeitado. E foi assim que decidimos interagir com ela a partir de então.

No dia seguinte acordamos sob um céu nebuloso, mas sem chuva. Fomos visitar a clássica cachoeira Grundarfjörðu, talvez a mais fotografada da Islândia. Em seguida, tivemos um longo, lindo e inóspito percurso até Laugarbakki, onde passamos a noite em um camping no meio do nada. Um achado! Aproveitamos para tomar banho e preparar as refeições dos próximos dias.

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REGIÃO NORTE: ENTRANDO EM SINTONIA

Seguimos nosso rumo pela região Norte da ilha. O Google Maps funcionava perfeitamente bem. Traçamos a nossa rota com destino à megalópole de Akureyri, quarta maior cidade islandesa, com os seus 17 mil habitantes. O caminho para lá é cheio de paradas interessantes, como a cachoeira Kolufossar, o plug vulcânico Borgarviki e o monumento natural de pedra Hvitserkur. Sem contar a paisagem da própria estrada, que mudava a cada trecho e exibia um novo espetáculo! Um prato cheio para os amantes da natureza! O tempo mudava constantemente, e alternava entre céus azuis e chuvaradas rápidas. Assim, os arco-íris foram fenômenos constantes na nossa viagem.

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Chegamos a Akureyri já no fim da tade e acampamos no parque Kjarnaskogur Woods. Saímos cedinho após mais uma noite fria e nublada (e sem Aurora Boreal). Como a nossa pegada não é muito urbana, por menor que fosse Akureyri, optamos por não ficar muito tempo nela. Seguimos para mais um dia repleto de atrações de nomes impronunciáveis!

O percurso entre Akureyri e Mývatn, nosso próximo destino, é relativamente curto. Menos de 100 km pela Ring Road separam esses dois locais, mas entre eles há uma infinidade de paradas obrigatórias a qualquer overlander. Começamos com um pequeno desvio de 40 km até a cachoeira Aldeyjarfoss, eleita por nós a mais linda da Islândia. O percurso é tranquilo, mas no final ela se torna uma “F Road”, onde o uso de veículos 4×4 é obrigatório. No caso de carros não tracionados, o seguro não cobre caso algo aconteça nessas estradas. Decidimos assumir o risco com a nossa valente Kangoo, e combinamos em dar meia-volta apenas se o caminho fosse realmente desafiado. Valeu a pena! Encontramos somente alguns morros um pouco íngremes que o nosso carrinho encarou bem.

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Aldeyjarfoss merece um parágrafo à parte! Por ser um pouco fora do roteiro turístico padrão, não havia ninguém ali. Assim como em outras ocasiões nessa viagem, sentimos uma forte conexão com a natureza, estando apenas nós dois diante da imensidão intocada pelo homem. Ficamos sentados no topo de um paredão rochoso, de frente para a majestosa queda de 20 metros de água azul-turquesa. Atrás dela, complementa o cenário uma parede de colunas basálticas, tão perfeitas que pareciam ter sido esculpidas uma a uma. Nunca tínhamos visto nada assim. E lá ficamos a observar e sentir este paraíso.

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Na volta, passamos pela famosa cachoeira Goðafoss, ou a Catarata dos Deuses. É uma queda bem menor, com 12 metros de altura, mas com 30 metros de largura. Reza a lenda que o batismo foi há mais de mil anos, quando o parlamento islandês decidiu adotar o Cristianismo e estátuas pagãs foram atiradas na cachoeira, dando origem ao seu nome.

Enfim, chegamos a Mývatn, onde passamos duas noites acampados. A região é famosa pelas diversas formações vulcânicas, além do imenso lago formado há 2.300 anos durante uma grande erupção. Locais como o campo de lava Dimmuborgir e o vulcão Hverfjall cenário de filmagens de Game of Thrones) merecem destaque.

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Mývatn também é conhecida pela sua casa de banhos termais. Diferente da famosa e turística Blue Lagoon, perto da capital Reykjavík, a de Mývatn é completamente natural, mais vazia e mais em conta. Em uma das noites, aproveitamos para relaxar nas águas termais, observando o céu todo nublado — ou seja, nada de Aurora Boreal. No entanto, pouco a pouco, flocos de neve começaram a cair sobre as nossas cabeças, e por lá ficamos praticamente sozinhos nos piscinões, enquanto a neve ia pintando o cenário de branco. Um momento mágico eternizado em nossas memórias!

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