FLY & DRIVE – Terra do Fogo e do Gelo (Parte 2)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #5 da REVISTA OVERLANDER

Um dos lugares mais exóticos no “cardápio” dos overlanders. Remoto, selvagem e com acesso muito difícil, é um atrativo almejado por muitos. Confira o relato de dois projetos brasileiros e suas experiências por este incrível país.

Parte 1 aqui >>>> & Parte 3 aqui >>>>

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Texto e Imagens: Bruno Nonogaki e Elina Okamura

REGIÕES NORDESTE E LESTE:  CONSTRUINDO UMA AMIZADE

Seguimos viagem para as regiões Nordeste e Leste. Passamos rapidamente pela Península de Tjörnes e pelo cânion Ásbyrgi, local que nos arrependemos de não ter explorado mais, para enfim chegar a mais um ponto alto da viagem: as cachoeiras de Dettifoss e Selfoss. Chegamos já no final da tarde e resolvemos não arriscar fazer a trilha com pouco tempo de luz solar. Após uma rápida caminhada até um dos mirantes, retornamos parte da estrada e paramos o carro no canto dela para pernoitar.

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No dia seguinte, fomos surpreendidos por uma imensidão branca que se formara com a neve contínua da noite anterior, e fomos os primeiros visitantes a dar bom dia para uma das cachoeiras mais visitadas da Islândia.

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A Dettifoss é uma das maiores quedas da Europa — com 48 metros de altura e 100 metros de largura, o turista tem o privilégio de vê-la de cima. É um volume de água assustador! A queda d’água já derretia a camada de neve de seu entorno, enquanto o resto da paisagem continuava branquinha, bem diferente do que havíamos visto um dia antes, e mais uma vez nos sentimos agraciados. Pegamos uma trilha relativamente curta entre as pedras que beiram o rio e chegamos à cachoeira Selfoss.

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Voltamos para a nossa jornada e contornamos a costa Leste sem grandes paradas. A estrada se transmutava a cada quilômetro rodado, passando por montanhas nevadas, cachoeiras, riachos de águas cristalinas, litoral recortado pelo mar. Cada uma delas digna de cartão-postal, mas não fazemos mais a menor ideia de sua localização exata. Viajar pela Islândia é assim, é desfrutar o caminho que se percorre.

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REGIÃO SUDESTE:  O MAIOR PRESENTE QUE A ISLÂNDIA NOS DEU

De paisagem em paisagem, chegamos à região Sudeste, onde ficam os glaciares do Parque Nacional Vatnajökull. Da Ring Road saem algumas estradinhas de cascalho que acessam alguns deles, como o Hoffellsjökull e o Fláajökull.

Já era final de tarde quando visitamos este último e resolvemos acampar no estacionamento do local, que estava vazio. Todo dia checávamos a previsão do tempo no celular, caso o céu estivesse limpo, havia uma possibilidade de ver a Aurora Boreal. Nessa noite, a previsão era de céu limpo, mas a chuva que caía durante o nosso jantar nos tirou novamente a expectativa. No entanto, é como dizem na Islândia: “Se você não está satisfeito com o clima do momento, espere 5 minutos que ele muda”.

Às 21h resolvi sair do carro para dar aquela checada habitual no céu, já que a chuva tinha dado uma trégua. E, para a minha surpresa, lá estava ela! Linda… as Luzes do Norte dançavam para nós naquela noite fria. O verde fluoescente no horizonte subia acima de nossas cabeças, passando por tonalidades de lilás, amarelo e roxo. Logo peguei a câmera, que toda noite eu já montava no tripé com as configuações ideais para registrar a Aurora, e comecei a dar alguns cliques. Mas a emoção era tão grande que em dado momento larguei o equipamento para simplesmente apreciar o espetáculo da natureza junto à Elina. Não sei quanto tempo ficamos ali, mas parece que o tempo parou, e só fomos despertados do transe quando as luzes baixaram, as nuvens começaram a fechar o céu novamente e o frio, a tomar conta dos nossos corpos. Mais um momento que guardaremos para sempre! Naquela noite fomos dormir emocionados com tamanha beleza vivenciada!

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No dia seguinte, durante o passeio guiado em um glaciar, a guia nos perguntou se havíamos visto a Aurora da noite anterior. Fomos os únicos do grupo que tivemos tal sorte. Teve gente que acordou de madrugada e ficou esperando, sem sucesso. E nós, às 21h, no completo acaso do destino, vivemos essa experiência mágica. Entendemos isso como mais um presente que a Islândia nos dava, e ficamos eternamente gratos.

Essa excursão para o glaciar foi agendada com a Glacier Guides. Partimos de Skaftafell a Falljökull, onde tivemos uma aula rápida sobre caminhada no gelo com crampons, recebemos as picaretas (para uma escalada leve como essa, só serviu mesmo para tirar fotos engraçadas) e passamos uma agradável tarde aprendendo sobre formação de glaciares. Questionamos sobre as excursões para Ice Caves, que são lindíssimas, mas nos foi informado que a visitação começaria a partir de novembro, quando elas são mais estáveis e seguras. Uma pena, estávamos na última semana  de outubro!

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Antes de chegarmos a Skaftafell para esse tour, paramos em Jökulsárlón, um lago glacial que deságua no Oceano Atlântico. A maioria dos viajantes que fica no país por poucos dias tem este local como o destino mais distante — então, daqui para a frente, sabíamos que encontraríamos proporcionalmente mais gente que ovelhas, ao contrário das outras regiões.

Passamos a noite em Skaftafell, que oferece um free-camping com uma boa estrutura. Dali partem várias trilhas para dentro do Skaftafell National Park, mas só fizemos uma relativamente fácil (cerca de 2 km) até Svartifoss: uma cachoeira belíssima, que assim como a Aldeyjarfoss, possui várias colunas basálticas ao fundo. Notamos que, apesar de não termos encontrado quase ninguém lá, o local é muito mais adaptado para o turismo, com passarelas de madeira, escadas e demarcações em locais perigosos.

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REGIÃO SUL: A DESPEDIDA

Próximo destino: cidade de Vík. O pouco de neve que caía se transformou em uma forte nevasca! Guiando bem lentamente, sem nenhuma visibilidade, chegamos sãos e salvos a uma loja de conveniência, onde decidimos nos abrigar enquanto o mundo caía do lado de fora.

Em poucos minutos o carro fiou todo coberto de neve! Na televisão, os dizeres em inglês informavam que o inverno havia chegado: todas as estradas das highlands foram interditadas, inclusive a nossa estrada sentido Reykjavík.

Graças à supereficiência dos islandees, a estrada estava limpa na manhã seguinte. Fomos logo cedo para a Praia de Areias Negras (Reynisfjaa), que naquela manhã estava branca, dando um ar ainda mais especial para as famosas colunas de basalto que complementam o cenário na orla. Foi um dos amanheceres mais bonitos da viagem, com o sol nascendo atrás das duas torres rochosas no mar — os Trolls petrifiados, segundo a lenda.

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Poucos quilômetros adiante estava a Skógarfoss, uma imponente cachoeira de 60 metros de altura que, ao espalhar suas gotículas de água pelo ar, forma um arco-íris completo quando o sol bate. Mal dava para acreditar que era um acaso da natureza, de tão perfeito. Ainda próximo dali, completamos o circuito com a icônica cachoeira Seljalandsfoss, que permite que o visitante ande por trás dela, e a Gljúfrabúi, escondida por entre as fendas de uma rocha. Terminamos o dia em grande estilo, acampando ao lado da Urriðafoss, ao som de suas quedas.

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Ali já estávamos dentro do Golden Circle, uma rota turística bastante popular na Islândia, principalmente para quem faz viagens curtas partindo da capital. Era o nosso último dia e já sentíamos o coração apertado, sentimento que foi acentuado com a fina garoa e com o céu carregado daquela manhã, deixando o ar nostálgico e com clima de despedida.

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Foi sob uma leve chuva que visitamos a cratera vulcânica Kerið, o gêiser Strokkur e a cachoeira Gullfoss. Aproveitamos a tarde no Parque Nacional Pingvellir, andando entre os paredões de rochas vulcânicas, perdendo o olhar nas montanhas nevadas ao fundo e nos lagos parcialmente congelados do parque. E foi na cachoeira Öxarárfoss que tiramos as nossas últimas fotos, com os olhos marejados e o sentimento de missão cumprida.

15a_Cachoeira Seljalandsfoss

A Islândia é um lugar onde a natureza vive. Vive nas crinas esvoaçantes dos cavalos, no olhar curioso das ovelhas, nas escaladas das ondas nos penhascos, nas luzes dançantes no céu, no musgo formado nas pedras. Vive no vento, na chuva e no frio.

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Ediçao #7 Chegou

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