FLY & DRIVE – Terra do Fogo e do Gelo (Parte 3)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #5 da REVISTA OVERLANDER

Um dos lugares mais exóticos no “cardápio” dos overlanders. Remoto, selvagem e com acesso muito difícil, é um atrativo almejado por muitos. Confira o relato de dois projetos brasileiros e suas experiências por este incrível país.

Parte 1 aqui >>>> & Parte 2 aqui >>>>

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Texto: Vinicius Maestrelli e Imagens: Kátia e Vinicius Maestrelli

ISLÂNDIA, SUA LINDA

Desde 2011 temos estabelecido como meta a ocupação total do período de férias com viagens pelo mundo. Já exploramos bem a Argentina e o Chile, e em 2015 fizemos um belo tour por Espanha, França e Portugal, mas a Islândia não saía da nossa cabeça. Nosso primeiro contato foi por meio das viagens inspiradoras de outros amigos.

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UM SONHO

Foi neste ano que o alinhamento dos astros nos permitiu realizar o sonho de conhecer a Islândia. Em uma viagem solo, já que amigos e filhos não poderiam nos acompanhar, planejamos uma visita à Inglaterra, terra da rainha e da Land Rover, e uma vez lá, por que não dar um pulinho na Islândia? Tão pertinho, né? A Islândia não é um país barato para se conhecer, e o fato de estarmos indo sozinhos foi preponderante para a decisão. Vamos agora!

Nas pesquisas vimos que para explorar a Islândia é obrigatória a locação de veículo, e as opções são inúmeras. Como já viajamos muito de motorhome locado, fomos às buscas e encontramos uma empresa que tinha em seu acervo a locação de veículos 4×4, entre eles alguns “Defenderhome”. Caro, mas tinha. Depois de muito pouca negociação, juntamos a paixão com a emoção e reservamos a Defender. A Islândia tem lugares de difícil acesso e a Defender seria o carro ideal. A empresa que faz essa locação é a KuKu Campers, honesta e responsável. Recomendamos.

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BEM-VINDOS!

Voamos de Londres para Keflvik via Icelandair, pois foi o melhor custo-benefício do momento. Três horinhas de voo e estávamos lá. Aterrissamos por volta das 23h e pegamos um táxi até o apart-hotel. Eis que o taxista para na frente de uma casa e diz:

— É ali.

Olhamos um para o outro e resolvemos descer. Ao observar a porta da casa sem muros, vimos que havia um aviso, e ao me aproximar para ler, deparei com o desejo de boas-vindas, a informação de que a porta estava aberta e o desejo de boa estada.

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Entramos e demos com um belo quarto, bem arrumado e aconchegante, com cozinha e tudo. Já passava da meia-noite quando fomos descansar. Na manhã seguinte avistamos sobre o criado-mudo um envelope de tecido e zíper, com a indicação de que o celular que estava ali dentro fosse usado para a ligação na hora do check-out. Ligamos para o número citado e o proprietário apareceu em minutos. Fizemos o check-out e o consultamos sobre a melhor forma de ir para Reykjavík, onde pegaríamos a Defender. Acabamos por acertar um valor e ele nos levou lá. No caminho, muitas dicas nativas sobre este maravilhoso país.

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A CAPITAL E A BLUE LAGOON

Já em Reikjavík, pegamos a Defenderhome após as burocracias normais. Na própria KuKu Campers fizemos o primeiro mercado, utilizando um balcão de doações deixadas por outros viajantes, indo de produtos de higiene à comida. Uma passada no mercado, carro e despensa abastecidos, iniciamos a trip.

Optamos por aproveitar o restante do dia para conhecer a capital da Islândia. Visitamos a catedral Hallgrímskirkja, com formato que representa o movimento da lava de vulcões e um monumento na orla, o Sun Voyager, cuja estrutura em aço lembra um barco viking. Em uma caminhada pela cidade vivenciamos uma nevasca — experiência incrível e inesquecível.

Nos deslocamos então para o Blue Lagoon, um spa de águas termais ricas em sílica. Nesse lindo spa, dotado de total infraestrutura, curtimos um belo final de dia. É necessária a compra dos ingressos pela internet e com antecedência. Tivemos sorte de chegar lá e dar de cara com um funcionário brasileiro, que se sensibilizou conosco e conseguiu viabilizar a compra ali mesmo. No fechamento, já de banho tomado e barriguinha cheia, optamos por pernoitar no estacionamento do spa, junto, inclusive, com outro motorhome. E apesar do forte vento e do balanço do carro, dormimos bem e quentinhos.

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GOLDEN CIRCLE

No dia seguinte seguimos para o Golden Circle, uma rota predeterminada, com aproximadamente 300 km, que passa por alguns dos principais pontos turísticos do país. Nesta rota conhecemos o Parque Nacional de Pingvellir, a queda d’água de Gullfoss, o vale com atividade geotérmica de Haukadalur, muita neve, muitas cachoeiras e gêiseres em lagos de degelo.

Todos os parques são gratuitos e bem estruturados, com lanchonetes, banheiros etc. A última atração do dia foi uma caminhada sobre a borda da cratera do vulcão Kerid. Aliás, esta foi a única atração que tivemos que pagar. Na cratera, uma lagoa de águas verdes deslumbrante. Na cidade de Sellfoss, achamos o camping para pernoite. Neste camping de excelente infraestrutura encontramos a primeira cozinha comunitária, onde é possível fazer as refeições e lavar louça — tudo em ambiente aquecido e com internet.

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Na manhã seguinte, depois do café na Defenderhome, fomos conhecer as cachoeiras Dettifoss e Sellfoss, duas lindas quedas d’água onde fomos de novo agraciados por uma fina precipitação de neve. Nesse local, devido ao pouco vento, conseguimos pela primeira vez pôr o drone para voar e captar belas imagens do local. Mais um deslocamento e chegamos a Seljalandsfoss, uma cachoeira cuja queda de 60 metros é oriunda do rio Seljalands, que nasce na geleira Eyjafjallajökull. Uma paticularidade dessa cachoeira é que os turistas podem passar por trás da queda d’água, entre a rocha e a lâmina d’água, e é lógico que, apesar do frio, do vento e da umidade, não perdemos a oportunidade de vivenciar isso!

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Dali fomos para a majestosa Skógafoss, uma das maiores quedas d’água da Islândia, localizada a cerca de 5 km de Skógar. Ali encontramos uma Defender com placas da Itália e fizemos contato com os viajantes, que incluímos em nosso grupo de amizades e com os quais temos conversado e trocado informações. No caminho para Vik, onde pernoitaríamos, ainda conhecemos o último vulcão a entrar em erupção na Islândia — em 2014, sua fumaça e cinzas causaram o fechamento de vários aeroportos na Europa.

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A próxima atração foi o cânion Fjarðarárgljúfur, que possui 2 km de extensão e 100 metros de profundidade. Foi uma gostosa caminhada. O lugar é muito lindo, parece cenário de filme. O último destino do dia foi o Parque Skaftafell, onde se encontra a linda Svartifoss, em uma caminhada de 2 km de subida que valeu muito a pena. Svartifoss signifia queda preta, porque a cachoeira é cercada por colunas de lava escura — as colunas de basalto hexagonal. Nessa noite pernoitamos em um hotel, para provar a culinária e ter um pouco mais de conforto.

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PONTO MAIS DISTANTE

Na manhã seguinte, depois de um fabuloso café tradicionalmente islandês, partimos para Höfn, que seria o ponto mais distante a ser atingido e de onde começaríamos a retornar. Foi quando visitamos a praia negra, a praia de “farelo vulcânico” e os três penedos Reynisdrangar — três colunas de basalto que endureceram durante uma explosão de lava.

Em todo o trajeto, muitos cavalos, que ficam à beira da cerca aguardando carinho, parecem treinados para agradar turistas. Nessa noite pernoitamos em um camping que não tinha ninguém para nos receber, apenas a indicação de custo por pessoa, custo por uso de energia etc. Você faz o seu check-in e deposita o dinheiro equivalente em uma caixa vermelha, chamada de “Honest Box”. Camping com toda a infraestrutura, inclusive cozinha equipada com tudo que imaginar, apenas com o lembrete: “Use, lave, guarde”. Algo inusitado e inimaginável para nós, mas que existe e funciona com perfeição.

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O RETORNO

Na manhã seguinte, após o café, iniciamos nosso retorno e a primeira parada foi em Jökulsárlón — um lago glacial, localizado ao sul do glaciar Vatnajökull, conhecido como Lago dos Glaciares, assim denominado porque os enormes blocos de gelo se desprendem do imenso glaciar, vêm parar neste lago e dele saem para o mar.

É incrível ficar ali em uma praia de areia negra olhando os blocos imensos se chocarem com as ondas do mar e as pequenas gaivotas islandesas brincando como se surfassem nos blocos de gelo. Muito bacana!

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Dali seguimos para a nossa maior caminhada, de cerca de 45 minutos para ir e 45 minutos para voltar — dependendo da direção do vento —, para conhecer o famoso avião Dakota Wreck, um DC3 da Marinha americana que, a serviço da Otan, fez um pouso de emergência nas areias pretas de Sólheimasandur em 1973 devido à falta de combustível. As dificuldades a época para retirar o avião inviabilizaram o resgate, e a aeronave acabou fiando ali e virando  ponto turístico.

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Segundo a mesma lenda urbana islandesa, um fazendeiro da região retirou do avião combustível suficiente paa alimentar tratores e equipamentos de sua fazenda por um ano, levando à constatação de que o piloto havia cometido um erro, transferindo o combustível do avião para um tanque reserva e ficando sem combustível durante seu voo.

Feita a visita, rumamos para um camping em Keflvik, onde pernoitamos, para no dia seguinte devolver a Defenderhome e deixar a Islândia. No camping em Keflvik, a mesma situação já relatada — você chega e se instala, faz o pagamento e vai embora no dia seguinte sem ver ninguém da administração. Totalmente normal no país.

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ENCANTADAS

Na manhã seguinte devolvemos a Defenderhome e aproveitamos o período da tarde para conhecer Keflvik. De ônibus gratuito, conhecemos a cidade, suas casas de turfa e um pequeno museu viking. A surpresa ficou por conta do deslocamento de ônibus — fomos acompanhados de muitas crianças pequenas, sozinhas e tranquilas, indo e voltando da escola.

Ficamos encantados com isso e também com as casas sem muros, com bicicletas largadas nos jardins, residências abertas e tantas outras coisas que demonstram a idoneidade e a segurança das pessoas nesse país.

Para fechar com chave de ouro, na volta para o hotel entrou no ônibus um casal de turistas, que, falando em inglês, não conseguia se comunicar com o motorista, um senhor islandês.

Eis que uma menininha de uns 9 anos, que estava sentada logo à nossa frente, se levanta e vai até o casal de turistas, presta auxílio de tradução e volta, toda orgulhosa do apoio dado. Isso para nós foi demais!

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Em resumo, podemos concluir que a Islândia é um país onde se vê a força da natureza em lindas paisagens. Além disso, é um país muito seguro. Certamente pretendemos voltar!

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