LATITUDE 70 – Enfrentando o Frio (Parte 1)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #3 da REVISTA OVERLANDER ou Parte 2 aqui

Chegou então aquela tão esperada encruzilhada! A esquerda, dirigindo pela mesma Estrada dos Ossos que vínhamos de Magadan, chegaríamos a Yakutsk. A direita, se estávamos procurando aventura, era a que deveríamos seguir.

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Texto & Fotos: Roy Rudnick e Michelle Weiss    www.mundoporterra.com.br

A segunda opção nos levaria ao norte até Ust-Kuyga, uma cidade remota do Extremo Oriente Russo que nos atraia por uma razão – situar-se na linha da Latitude 70 Norte, nosso grande objetivo!

LUGAR HABITADO MAIS FRIO DO MUNDO

Era inverno no hemisfério norte e naquele momento já havíamos encarado temperaturas baixíssimas. Em Oymyakon, por exemplo, que é considerado o lugar habitado mais frio do mundo por ter registrado um dia a incrível marca dos -71,2°C, nós pegamos -55°C por duas noites consecutivas. Quando a temperatura baixou dos -50°C o nosso termômetro deixou de funcionar, mostrando apenas LL,L em seu visor, que brincamos representar: the lowest low of the lowest.

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VIVENDO E APRENDENDO

Mas tivemos uma boa lição nessa cidade e ela nos desencorajava um pouco daquela estrada ao norte. O frio, que há muito havia deixado o patamar seguro, congelou o diesel, que carregávamos em nosso tanque reserva, e quando precisamos utiliza-lo o motor simplesmente parou de funcionar por ter entupido o filto de combustível.

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Há três tipos de diesel na Rússia: o normal, o de inverno para temperaturas até -30°C e o ártico para o frio extremo. Mas estando em um país onde não se compreende sua língua, muito menos o alfabeto cirílico utilizado pelos russos, nem sempre tínhamos certeza do que abastecíamos. Nós devemos ter abastecido diesel de inverno, pensando ser ártico.

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E aí já era! Quando o motor para, você compromete também suas gerações de energia e calor, e abaixo de -40°C – sem aquecimento, a temperatura interna do seu veículo iguala a externa em poucas horas. Tudo passa a congelar, como o óleo de diferencial, caixa, direção hidráulica, pedais de freio e embreagem, suas mãos, pés, ponta do nariz, vinagre, azeite de oliva, enlatados, travesseiro de espuma NASA, máquina fotográfia, baterias, vodca – sim, inclusive a vodca e o que mais estiver exposto ao frio. É espantoso!

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Se um problema como esse acontece em um lugar com certa infraestrutura, ainda vai lá, mas e no meio do nada? Se na investida ao norte comprássemos diesel que não fosse ártico, este problema poderia voltar a acontecer, dentre muitos outros, e aquela que era para ser uma grande viagem, poderia se transformar em um pesadelo.

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Amigos russos a quem falamos sobre o nosso projeto de atingirmos a Latitude 70 nos alertaram das dificuldades ds estradas de inverno, que são as que iríamos dirigir. São noventa e nove por cento utilizadas por comboios de caminhões 4×4 ou 6×6 com pneus gigantes e se nevar, eles deixam valetas muito profundas na neve, o que seria impossível transpassar com nosso Land Rover com pneus de tamanho original. Se até os caminhões viajam em comboio, o que seria de nós viajando sozinhos? Além disso o plástico, metal, borracha fiam sensíveis em temperaturas extremas e as chances de se quebrar uma ponta de eixo ou um amortecedor, partir uma mangueira e assim ter vazamentos é exponencialmente maior que em temperaturas normais.

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MOMENTO DECISIVO

Um encontro interessante aconteceu em nossa volta de Magadan. Era noite e nós acampávamos num posto de combustível em Susuman, quando um russo chamado Konstantin bateu em nossa porta. Ele viajava sozinho em uma Land Cruiser e coincidentemente também almejava desafiar aquela estada ao norte. Em dois carros a segurança de ambos aumentaria muito. A partir dali não restou mais dúvidas! A opção da direita, aquela das estradas de inverno, do frio e do desconhecido era a que deveríamos seguir. Decidimos dar a nós mesmos pelo menos a chance de alcançar a Latitude 70.

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As quilometragens demonstram o tamanho da aventura: ida e volta – 2.400km, dos quais apenas 380km eram de estradas abertas para trânsito o ano todo e nem por isso fáceis.

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Mas nós fomos devagar, sem muita sede ao pote. Pela segurança estar em primeiro lugar em nossa expedição, combinamos que retornaríamos se as condições da estrada e clima fiassem muito perigosas. Cada grau ao norte que ultrapassássemos os 64°37’ N, marca que havíamos atingido na Estrada dos Ossos, já seria uma vitória. Dividimos então nossa grande meta em pequenos passos: Topolinoe (km 189, 64°04’ N, onde começavam as estradas de inverno); a linha do Círculo Polar Ártico (km 460, 66°33’ N); Batagay (km 791, 67°39’ N); e por fim, Ust-uyga, (km 1200, 70°00’ N).

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E lá fomos nós, dirigir a primeira parte da estrada até Topolinoe. Esta estrada é aberta o ano todo, mas no inverno é lisa, estreita e perigosa. Há precipícios que se precisar ultrapassar um caminhão, terá que ser pelo lado do abismo, indiferente se este estiver na mão ou contramão, pois os caminhões não se arriscarão fiar próximo a ele. A noite dormimos na vila deserta de Topolinoe, dentro de nossos carros, que fiaram ligados a noite inteira, aliás o inverno todo.

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Ediçao #7 Chegou

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