MAPA DA MINA – Oficinas Salitreiras

Veja esta matéria na íntegra na Edição #3 da REVISTA OVERLANDER

Muito além de areia, vulcões e belas paisagens, o Atacama esconde uma fantástica história em suas áridas planícies. Tão ou mais interessante que suas conhecidas atrações, as cidades abandonadas do deserto são verdadeiras cápsulas do tempo.

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Texto & Fotos: Clemente Gauer

O Deserto do Atacama: um destino explorado por muitos, com montanhas, vulcões, gêiseres e um belíssimo pôr do sol. Com acesso fácil, costuma oferecer paisagens estupendas, tudo na altitude de suas majestosas “quebradas” morfológicas.

Mas a ideia desta seção “Mapa da Mina” é levar você a lugares pouco explorados, lugares geralmente mais interessantes que os roteiros tradicionais. Não espere hotéis 5 estrelas e tampouco restaurantes com estrelas no guia Michelin. O objetivo é que você explore lugares novos e desertos.

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O destino inusitado para esta edição foram as oficinas salitreiras do norte do Chile, na região do deserto do Atacama — as processadoras abandonadas de salitre, riqueza única da região. Objeto de guerras ferozes entre Chile e Peru.

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Você poderá testemunhar o que acontece com uma cidade depois que as pessoas se vão. Você poderá andar por ruas e avenidas desertas. Entrar em trens cujo último passageiro embarcou 70 anos atrás. Observar a mumifiação natural do corpo humano em cemitérios profanados por ladrões. Escutar o vento batendo sobre antigas peças metálicas em um antigo hospital abandonado. Ler o laudo médico de pacientes que ali passaram. Ver o rastro de insetos na poeira acumulada ao longo de meio século de abandono.

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Mas não se engane, apesar de abandonados, esses espaços merecem respeito, devem ser preservados e preferencialmente visitados de maneira silenciosa, respeitosa e em grupos pequenos. Curiosamente a história do salitre parece ser um tabu no Chile. Os chilenos vão te desencorajar de visitar as cidades- -fantasma. O material disponível para turistas é praticamente inexistente. Mas fique tanquilo, com um GPS e algum poder de observação, você encontrará todas elas à beira da Pan-americana.

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Antes, porém, uma breve história sobre o salitre do Chile. O salitre chileno, mais conhecido como nitrato de sódio, é um sal comumente usado para elaboração de pólvora e também frequentemente empregado como fertilizante. Produto para fimpacífio, como insumo de agricultura, ou bélico na munição das guerras. Chegou ao seu auge durante a Primeira Guerra Mundial.

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Voltemos então para o fial do século XIX e início do século XX. Erguem-se enormes cidades-fábricas no altiplano do deserto chileno. Eram tempos em que a tecnologia se resumia aos engenhos movidos a vapor e às locomotivas dos ingleses James Watt e Richard Trevithick. Eram empreendimentos colossais liderados por proeminentes famílias inglesas e algumas poucas alemãs, todas empregando em regime de escravidão a totalidade da população local. Cada uma das oficias possuía sua própria moeda, com a qual os funcionários eram pagos e assim forçados a abastecer-se nas vendas da empresa.

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A logística do enorme negócio de salitre era garantida por uma majestosa ferrovia a vapor à moda inglesa, é claro. A parte marítima era realizada por corajosos capitães e marinheiros europeus que atreviam-se a navegar enormes “windjammers” através das agitadas, enfurecidas e truculentas águas entre a Antártica e a Terra do Fogo. Naqueles tempos, o projeto do canal do Panamá existia só no papel. Para ir da costa do Pacífico até a Europa, era uma aventura sui generis.

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Porém, o ciclo do salitre chileno chegou ao seu fim. Cientists alemães inventaram uma maneira economicamente viável de sintetizar o nitrato de sódio. Seu processo Haber-Bosch, mais tarde, rendeu à dupla um prêmio Nobel. Acabou, em pouco tempo, a custosa extração, logística e a barreira comercial do salitre que os ingleses e seus aliados impunham à Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial.

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Com o final da corrida do salitre chileno, apenas os remanescentes das salitreiras fixam a sua história na memória das pessoas. Poucas oficinas continuaram erguidas e resistindo aos efeitos do tempo — este extremamente seco e conservador. Umas pela monstruosidade de suas proporções, aproximando-se de uma cidade de tamanho médio, outras pelos cemitérios que são dignos de metrópoles e finalmente aquelas que mais tarde chegaram a ser usadas como sombrios campos de concentração e de extermínio durante a ditadura militar chilena.

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Portanto, todas são reconhecidas como patrimônio da humanidade pela Unesco. A ferrovia que conecta todas as oficinas é sem dúvida um ponto alto, com sua central e rotunda localizadas na cidade de Baquedano. É de lá que foi retomada no mês de abril a conexão ferroviária com a Argentina.

Explore este impressionante cenário, uma viagem no tempo por um dos episódios mais marcantes da história andina.

Veja esta matéria na íntegra na Edição #3 da REVISTA OVERLANDER

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