MUNDO AFORA – Brasileiros no Topo do Mundo (Parte 1)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #1 da REVISTA OVERLANDER ou a PARTE 2 AQUI e PARTE 3 AQUI

Alasca, o destino dos sonhos para overlanders de todo o mundo. Para entender o porquê, acompanhe essas três experiências únicas de aventureiros brasileiros. Cada um com sua história, mas todos com o mesmo desafio: chear ao topo do mundo!

Aqui está a primeira . . .

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CORRENDO CONTRA O TEMPO

Outsiders Brazil (Paula Guimarães e Renan Baptista)

Nossa saída do Brasil tinha um grande objetivo na América: atingir os dois extremos do continente, Ushuaia no sul e o desafiante note do Alasca.

Com apenas um mês de estrada, já chegamos a Ushuaia, no dia 31 de dezembro, faltando 30 minutos para o novo ano. O dono do camping, com um copo de vinho na mão, se apressou em nos atender apenas mostrando onde poderíamos parar e pedindo logo para entrar na sala onde todos esperavam ansiosos para a chegada de 2014. Foi assim que começou nosso novo ano! Depois dali não viramos mais o Brasileirinho, nosso carro, sentido sul. Cada quilômetro era dedicado ao Alasca e nosso calendário dependia do verão no hemisfério Norte.

Seguindo nosso caminho rumo ao norte, através de Chile, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia, percebemos que não éramos os únicos nessa “loucura” e algumas vezes cruzamos com pessoas que se apressavam em chegar ao extremo norte. Com isso começamos a nos perguntar se estaríamos atrasados no cronograma e também passamos a apertar o pé. Foi uma ótima desculpa para cruzar a América Central em apenas uma semana, até três fronteiras burocráticas no mesmo dia!

Final de julho chegou e ainda estávamos atravessando o México! Na estrada, outros amigos overlanders mais uma vez nos alertavam que estávamos atrasados e avisavam que esta era a época de retorno, e que subir poderia ser perigoso para nós e para o carro. De fato tivemos receio pelo carro, é um cearense que quando faz frio reclama. A vontade de avançar para o norte era grande, porém algo parecia dizer que era melhor não arriscar.

A ideia era chegar ao Alasca antes do inverno, e evitar situações como essa . . .

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Já era meados de setembro quando saímos de San Francisco, e tentamos nos convencer de que o melhor mesmo era apenas visitar parte do Canadá e esquecer o Alasca. Chegando pelo centro da chuvosa cidade de Seattle, ainda nos Estados Unidos, e sem saber ao certo qual seria a nossa rota para Vancouver, decidimos ligar nossos computadores em uma cafeteria com internet.

O Renan, ainda não muito conformado com a ideia de estar tão próximo do Alasca e ao mesmo tempo tão distante, resolveu checar a previsão do tempo como uma forma de consolo, já que tudo indicava que o frio e a neve se aproximavam. Só que esse consolo deu errado, era o aquecimento global que estava a nosso favor e a previsão era de sol para os próximos sete dias.

Totalmente incomum para a época! Foi em questão de segundos, olhamos um para o outro e falamos:

“Vamos tentar? Vamos!”

Tchau, colocamos os computadores nas mochilas, entramos no carro e dirigimos para a fronteira com o Canadá.

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Conforme íamos subindo pelas ótimas estradas canadenses, víamos o movimento dos enormes motorhomes americanos descendo sentido sul, e os inúmeros estabelecimentos com aviso de fechado para a temporada. Aquilo nos enchia de medo e parecia avisar que o local iria fiar intransitável pela neve.

O nosso medo era de fiarmos ilhados, sem saber dirigir no gelo! Isso sem contar que não tínhamos as correntes para os pneus, que estavam completamente carecas dos nossos 70 mil quilômetros, ou seja, tudo teoricamente errado. Mesmo assim insistimos em continuar, o frio ia dando suas caras e as manhãs nos acordavam com gelo dentro e fora da barraca. O Renan, ansioso para chegar, acordava cedo e fazia um café bem forte enquanto eu batia o queixo dentro da barrac

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Foram três dias para chegar em uma pontinha no sul do Alasca, Hyder, famoso pelos ursos caçando salmão. Dizem que o espetáculo ao vivo é coisa de National Geographic. Infelizmente chegamos tarde e a temporada do salmão passara, e os ursos estariam por outras bandas procurando comida antes de hibernarem. Tudo parecia nos dizer que não fiemos uma boa escolha em chegar aqui nesta época, era difícil encontrar qualquer coisa aberta, as cidades estavam vazias e até os bichos não queriam aparecer.

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Mesmo assim, seguimos para Haines, uma outra cidade mais ao norte, só que no meio da estrada encontramos não ursos, e sim brasileiros! Eram a Joselle e o Amandio, de Goiânia, voltando rumo ao sul. O encontro na estrada foi tão especial que decidimos acampar juntos, em um lago próximo, para compartilhar nossas histórias.

E foi ali, sem a menor pretensão, logo depois do nosso jantar, ainda com um restinho de fogueira, que aconteceu um dos momentos mais mágicos desta expedição: a Aurora Boreal. Uma cortina verde foi se abrindo no céu e de repente luzes de diferentes cores começaram a dançar como um balé ensaiado. Na ansiedade de achar que aquilo acabaria logo fiamos gritando e apontando para o céu, tamanha a nossa emoção tipicamente latina. E a Aurora Boreal parecia nos dizer:

“Calma, o show está apenas começando”.

Aquela linda apresentação nos prendeu por uma hora e meia. Foi como assistir a um show dedicado especialmente para você e com todo o amor do mundo. Sem esconder nossa emoção, as lágrimas começaram a rolar e por um segundo fiamos envergonhados, mas a alegria de estar ali permitia qualquer sentimento de emoção. Para nós parecia fial de ano e naquele momento começamos a nos abraçar, agradecer, chorar e até declarações rolaram.

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Foi um sentimento genuíno entre nós, que a Aurora Boreal proporcionou, e que jamais vamos apagar das nossas memórias. Passada a forte emoção da Aurora era hora de se despedir. Seguimos ainda mais ao norte e parecia que realmente tínhamos entrado em um novo ano.

Nossas cabeças começaram a refletirmais sobre o sentido de chegar ao Alasca, no caminho as geleiras enormes e milenares nos faziam lembrar o quão distantes estávamos de casa. O sol forte deixava a Alaska Highway incrivelmente colorida e até os bichos apareceram.

No Alasca, quem comanda é a natureza e os bichos que aqui moram tentam driblar as condições rigorosas. Vimos da estrada uma ursa e seus dois filhotinhos omendo frutas na floesta, uma cena memorável. Ver o bicho solto na natureza ensinando futuras gerações a sobreviver é um dos privilégios que o Alasca permite.

E foi assim com tantos outros: elks, caribous, águias, bisões, alces, lobos, coiotes. Bichos que até então só conhecíamos na TV e outros até de que nunca ouvimos falar. A natureza nos deixou com uma bela moldura no sonho realizado.

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Pouco mais de um ano atrás, antes de partir, assistimos emocionados ao filmeNa Natureza Selvagem, e de repente estávamos ali no cenário real, frente a frente com o “magic bus”. Naquele momento, nos intitulamos “Super Tramp”. Ver os grandes picos nevados do Denali é como ter gravado no coração a eterna gratidão de poder sentir o lugar. Objetivo cumprido e sentimos que era hora de pegar a estrada de volta.

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No último dia de setembro nos despedimos do Alasca, cheios de orgulho e com a promessa de um retorno. Nenhum outro lugar despertou este sentimento em nós. É que o Alasca emana uma energia única e uma viagem só não é suficientepara explorar o lugar. Nossa despedida foi debaixo de uma nevasca de mais de 4 horas, foi o nosso inesquecível e branco “até logo”.

A estrada até o Alasca pode ser longa e difícil, exige disciplina e preparo. Porém, maior é a viagem interna que o lugar te proporciona, e para essa não tem caminho mais curto nem retorno. Ter a nossa foto na placa de boas-vindas do Alasca é um marco não só na expedição, mas nos nossos corações. Este sentimento nunca ninguém conseguirá tirar de nós. Alasca e nós, no topo  do mundo!

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