MUNDO AFORA – Brasileiros no Topo do Mundo (Parte 2)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #1 da REVISTA OVERLANDER ou a PARTE 1 AQUI e PARTE 3 AQUI

Alasca, o destino dos sonhos para overlanders de todo o mundo. Para entender o porquê, acompanhe essas três experiências únicas de aventureiros brasileiros. Cada um com sua história, mas todos com o mesmo desafio: chegar ao topo do mundo!

Veja a segunda . . .

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SURPRESAS INESPERADAS

Retratos das Américas (Gabriel Ribeiro e Gustavo Gracitelli)

A água escorria em minhas costas, mas meu corpo só sentia o turbilhão de sentimentos e dúvidas que emergiam dentro de mim. Era apenas um banho, mas o último dentro de um ambiente confortável e urbano. Na manhã seguinte partiríamos para o Alasca.

Ao longo daqueles últimos dias ouvimos comentários impressionados e maravilhados com a nossa coragem de nos dirigir rumo àquele inóspito e gelado território, ainda mais naquela época do ano. Não imaginávamos que ainda ali, em Seattle, pessoas achariam aquela viagem algo tão impressionante.

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Era 20 de setembro, horas antes daquele banho, e um outro expedicionário com quem fiemos amizade, e que já estava no Alasca há algumas semanas, nos alertava. Por conta do aumento das chuvas e da frente fria que avançava no território, algumas estradas seriam fechadas nos próximos dias. Campings e restaurantes ao longo do caminho fechavam naquele mês e só reabririam em maio do ano que vem.

Éramos garotos urbanos, nascidos e criados nos trópicos. Sem grandes experiências de camping, off-oad ou escotismo. Em nosso primeiro acampamento juntos, semanas antes do início da expedição, nem lanterna levamos! Então, será que estávamos realmente preparados? A Tanajura, a barraca, ou mesmo nós aguentaríamos fiar tanto tempo expostos às condições e riscos em uma das regiões mais ao norte do planeta? E, afial, o que de fato iríamos viver e sentir? O que era esse tal Alasca?

Mas ao longo dos 3.660 km, ou 4 dias, que levamos de Seattle até Fairbanks tudo já parecia mágico. Desde a lendária Alaska Highway, que ao longo de suas milhas vai contando sua história e mantendo vivos os registros dos poucos que ali passaram, como a “Sign Post Forest”, até os alces, bisões, veados, cervos, caprinos montanheses e um urso preto que cruzavam nosso caminho. A natureza selvagem do Ártico nos parabenizava por aquela façanha e parecia estar de braços abertos! E as surpresas não paravam por ali, iam muito além do Yukon.

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Caía a noite quando chegamos a Coldfoot. Conquistávamos mais um marco: cruzáramos o Círculo Polar Ártico e rumávamos em direção ao mar. Estávamos famintos e exaustos de dirigir a Dalton Highway, considerada dentre as dez estradas mais perigosas do planeta.

Coldfoot, a parada de caminhoneiros mais ao norte do globo, possui dez habitantes, um restaurante e um “hotel” (que mais parecia um contêiner) que cobrava a “bagatela” de 200 dólares para um quarto duplo! Sem chances! Seguimos mais alguns quilômetros ao norte até Wiseman, vilarejo de caçadores, em busca de uma nobre alma para nos abrigar. Mas para nossa frustração, aproximadamente seis casas compunham a vila e todas estavam apagadas.

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Começava a nevar. Já fazíamos a volta quando notamos uma das casas com fumaça saindo pela chaminé. Era nossa última esperança! Mas tínhamos medo. Afial, o que pensaria uma pessoa numa cabana a 370 km de distância do mar Ártico, quando ouvisse baterem à sua porta às 9h da noite? Tomamos coragem, batemos e, para nossa surpresa, Arild, um solitário norueguês que passava suas férias ali, no meio do nada, nos acolheu com muita alegria, histórias e um lugar quente para dormir. Era o que precisávamos!

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Seguimos ao sul para áreas “mais quentes e povoadas”. Chegávamos a Haines, município com apenas 2.500 habitantes, e recebíamos duas boas novas: a primeira era que com o feriado de Ação de Graças no Canadá, a cidade receberia diversos pescadores. Junto com pescadores locais, os canadenses ocupavam o rio Chilkat em busca de salmão que subia do mar para o lago ali próximo.

Carcaças de salmão abandonadas pelos pescadores eram um prato cheio para as feras. O sol caía e a noite chegava e, junto com ela, os ursos! Era um espetáculo à parte: ursos se aproximando do rio, pescadores se afastando. E, em uma perfeita harmonia, cada um dividia seu espaço.

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Mas falando em espetáculo, a segunda surpresa era que, naquele mesmo dia, aconteceria o famoso musical Oklahoma, da Broadway. E o mais especial é que ele seria interpretado pelo grupo de teatro local, formado pelos próprios moradores de Haines: estudantes, a senhora da livraria, o guarda municipal, a esposa do pescador etc. Foi comovente poder sentar ao lado dos amigos e familiares daqueles “atores” que, além de suas rotinas, dedicaram seu tempo livre para produzir e atuar naquele espetáculo.

Mas este clássico musical, quase no fim do mund, tinha um sabor ainda mais especial para nós, pois possuía um ponto muito em comum com nossa história. Ele era desempenhado por pessoas comuns, sem grandes cursos de teatro. Algumas sequer tinham pisado numa metrópole, e mesmo assim estavam ali, dispostas e com muita coragem de tornar aquele sonho realidade. Assim como os cinco jovens aventureiros sentados ali, na penúltima fileia

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