O PERRENGUE – Desafios do Congo (Parte 1)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #4 da REVISTA OVERLANDER

Ao sonhar com a África, imagens de leões no capô do carro, fogueiras no mato e pores do sol sobre o Serengeti imediatamente vem à mente. No entanto, há outro lado da África, cheio de desafios e dificuldades. Este viajte experiente — e autor —, que passou quatro anos ziguezagueando o continente com seu Land Rover 1975, sabe muito bem disso.

Parte 2 aqui  >>>>

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O PERRENGUE DA FRONTEIRA

Texto e Imagens: Christopher Many  www.christopher-many.com

Não há muito o que fazer ao se preparar para entrar em um país em estado de instabilidade civil. O importante é manter o juízo e torcer pelo melhor.

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A República Democrática do Congo é um desses países devastados pela guerra. A segunda maior nação da África quase não conheceu um momento de paz desde que se libertou do domínio do governo tirânico da Bélgica, em 1960. Patrice Lumumba, o primeiro primeiro-ministro, foi baleado e despejado em uma cuba de ácido logo após ser eleito. Em 1965, Joseph Mobutu foi nomeado presidente e passou os próximos 32 anos enviando uma imensa riqueza do Congo para suas contas bancárias na Suíça. Quando Laurent Kabila assumiu o poder em 1997, estourou uma guerra na qual 5 milhões de pessoas foram mortas em dez anos. Ainda hoje a situação continua hostil, com conflitos violentos endo comuns nas regiões orientais do Congo. Com isso em mente, pretendo manter a minha distância das zonas mais afetadas, tentando atravessar apenas os distritos do sul entre Angola e Zâmbia com o meu Land Rover — a Matilda.

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Na minha carteira, tenho uma coleção de cartões de visita falsos do ministro de Relações Exteriores, do chefe da Imigração e do ministro do Turismo, todos com endereços e números de telefones corretos. O ministro do Turismo, imagino, tem tanto trabalho quanto um lenhador no Saara, considerando o número de turistas que a República Democrática do Congo recebe anualmente. Nesta fronteira, este ano, até agora só um — eu.

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Então, aqui estou, pronto para entrar com um visto de 30 dias. Reparo que não há banhos de ácido no escritório de imigração, então minhas esperanças são altas. O francês é a língua oficial no Cogo, um idioma que domino o suficiente paa pedir queijo e vinho, nenhum dos quais existe neste remoto posto de controle. Felizmente, o chefe da fronteira fala português, um idioma que eu entendo melhor.

— Sim, você tem um visto, mas a documentação vai custar 40 dólares.

Ele sorri, presunçosamente. Eu pego minha carteira e coloco o cartão de Déo Rugwiza Magera na mesa. O sorriso sumiu.

— Ah… você conhece o chefe da Imigração em Kinshasa? — ele pergunta.

— Sim, conversamos de vez em quando. Déo disse que o meu visto é suficiente paa atravessar. Fique à vontade para ligar, seria bom falar com ele novamente.

Atravesso a fronteira em 20 minutos e ainda sou convidado a acampar ao lado da casa do comandante da polícia, com um guarda militar particular durante a noite toda.

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O PERRENGUE OFF-ROAD

Na manhã seguinte, saio da cidade fronteiriça de Dilolo e dirijo-me para o leste em uma pista aparentemente construída para gerar sofrimento aos usuários. As madeiras estreitas são uma bagunça de obstáculos, com ângulos impossíveis de percorrer. Aqueles que seguirem por esta rota até Lubumbashi certamente terão problemas com o carro. A pergunta é: quantos e quão sérios serão?

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Meu chassi quebra após os primeiros 10 km — de 400. Não é apenas uma simples trincada — um vão de 5 cm separa as seções dianteira e traseira do Land Rover! Como em uma charge de quadrinhos, só que nada engraçado, a Matilda está rachada ao meio.

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A maioria dos overlanders tem alguns truques na manga, não apenas em se tratando de fisais corruptos, mas também quando se enfrentam problemas com o carro. Viajantes compartilham seus conhecimentos de improvisações mecânicas, reparações básicas e diversas gambiarras necessárias para sair de uma enrascada. Jogar um ovo (sem a casca) no radiador, por exemplo, tapará pequenos furos. Uma lata de comida vazia colocada em volta de um escapamento quebrado funciona como uma junta. Uma meia-calça (de náilon) funciona perfeitamente como correia do ventilador. Um pneu furado pode ser enchido com areia ou com toalhas, fazendo com que consiga chegar até a próxima borracharia. Mesmo blocos de madeira podem servir para alguma coisa: um pedaço inserido entre o eixo e o chassi serve de suspensão!

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Para continuar, tenho de fazer uma “imobilização” no chassi, colocando uma tala, como se estivesse tratando uma fratura de perna quebrada. Levanto o centro e amarro dois troncos de árvore ao lado. É uma medida bruta, a Matilda flxiona como uma dobradiça em cada buraco, mas a tala aguenta o tranco. A flxibilidade adicionada pode até ser que ajude e previna danos mais graves no meu veículo já extremamente abusado. Tombaria a cada quilômetro se não fosse pelas árvores nas laterais da estrada que me mantinham em uma posição semivertical. Em marcha reduzida, raspo o carro nas árvores, perdendo ambos os espelhos retrovisores, no km 20. Só faltam 380!

Veja esta matéria na íntegra na Edição #4 da REVISTA OVERLANDER

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