PROVANDO O MUNDO – De Blumenau à Machu Picchu

Setembro/Outubro, 2007 – Daniela T. Bressiani e Vinicius B. Bressiani
Veículo: Toyota Bandeirante (1989) – Distância percorrida: 10.300 km
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Quebrada de Cafayate c BandLá se vão quase dez anos dessa viagem que o tempo não é capaz de apagar das nossas memórias. Foram 23 dias na estrada a bordo de uma Toyota Bandeirantes 1989 percorrendo Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Não levávamos GPS, muito menos celulares. Alguns mapas nos auxiliavam, mas eram as placas e as pessoas que nos guiavam. Uma viagem como se fazia antigamente, se é que podemos dizer assim.

Nossa aventura tinha dois objetivos definidos: conhecer o Deserto do Atacama e a cidade perdida dos incas, Machu Picchu. Chegar ao primeiro destino através do Paso de Jama foi realmente uma experiência marcante. O deserto tem mais vida do que havíamos pensado e conhecer as Lagunas Altiplânicas e o Geyser del Tatio, por conta própria, sem guia, nem agência, tinha gostinho especial. É um lugar que certamente voltaríamos.  Já Machu Picchu deixou um pouquinho a desejar. É que toda aquela aura mística de que tanto havíamos lido foi trocada pelo som da multidão de turistas que chegavam por lá. Entretanto, se o lado esotérico não nos comoveu (talvez porque nossa essência seja muito mundana), as incríveis construções datadas do século XV e a beleza do lugar foram suficientes para elegermos como um dos mais impressionantes que já conhecemos.

Salinas GrandesO Deserto e Machu Picchu foram sem dúvida os pontos altos da viagem. Mas a estrada nos levou a outros lugares igualmente surpreendentes, que nem sequer imaginávamos. Os vinhedos nas terras secas de Cafayate, as cores da Quebrada de Humahuaca, o branco reluzente das Salinas Grandes, a profundidade do Canion de Colca, a imensidão do lago Titicaca… tudo muito diferente do que havíamos visto até então.

É claro que essa viagem não se resumiu aos destinos, aos passeios e as belezas naturais. Uma viagem de carro requer flexibilidade, coração e mente abertos para novas experiências e uma boa dose de improviso quando é necessário. E essas habilidades eram testadas diariamente. Tínhamos que encontrar lugar para dormir todas as noites (e claro, não existia o couch surfing). Nosso carro não era adaptado, dormíamos na barraca iglu comum. Não havia diesel para comprar na Bolívia, pois La Paz e Santa Cruz estavam em conflito, e tivemos que apelar para o mercado negro (por mercado negro leia-se uma senhora que só falava quéchua e escondia em sua casa galões de diesel de qualidade duvidosa). Atravessamos a Bolívia sem mapa, porque simplesmente não achamos um para comprar por lá. Batemos o carro no trânsito caótico de La Paz. Nossas roupas congelaram no varal em uma noite de temperaturas negativas em Calama. “Pedidos” de propina foram feitos mais de uma vez por policiais argentinos.

Apesar das dificuldades, não há como negar que esses momentos tornaram a experiência ainda mais rica…foi com fome de aventura que partimos e com espírito de overlanders que voltamos.

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