ROTA DA SEDA – O Velho Caminho do Oriente (Parte 4)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #2 da REVISTA OVERLANDER ou a PARTE 1 AQUI ou a PARTE 2 AQUI ou a PARTE 3 AQUI

Depois de uma mudança forçada de plano, embarcamos em uma aventura inesperada para um território desconhecido… exploramos a antiga e mística Rota da Seda até a China. Parte 3 desta História . . .

DayTrippers (Rafael Ávila e Isabela Miranda)

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PELA ÁSIA CENTRAL

Deixamos o Irã com o coração apertado. Quantas pessoas queridas, quantos lugares especiais, mas era hora de entrar na Ásia Central pelo Turcomenistão. Com apenas cinco dias de visto de trânsito escolhemos conhecer Ashgabat, a capital mais surreal que já vimos, com seus prédios em mármore branco ostentando a riqueza proveniente do gás natural abundante no país. O mesmo gás natural nos levou ao segundo ponto escolhido no Turcomenistão, a cratera de fogo de Darvaza, conhecida como “A porta do inferno”, no meio do deserto do Karakum.

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Quando os soviéticos escavavam a região em busca de petróleo, na década de 1970, acabaram encontrando gás e, certos de que acabaria logo, tocaram fogo. Desde então segue queimando e se tornou uma das atrações turísticas mais bizarras que conhecemos. De qualquer maneira, passar a noite tomando vinho na beira dessa “fogueira” de 70 metros de diâmetro é uma experiência e tanto. Acampar por ali deixa tudo ainda mais interessante, o vento intenso à noite, o som constante das chamas e, depois de tanto calor, um banho com vista para a cratera fechou com chave de ouro.

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Entramos então no Uzbequistão, um país que respira Rota da Seda. A cidade antiga de Khiva tem um dos mais belos e bem preservados exemplos de arquitetura daquela época. Com jeitinho, conseguimos acampar no meio do centro histórico e acordávamos todos os dias rodeados de mesquitas, minaretes e Caravanserais em tijolos cor de deserto mesclados com mosaicos em azul e verde. Para completar o Uzbequistão, conhecemos Bukhara e Samarkhand mais ao leste, que estão entre as cidades mais antigas de toda a Ásia Central e foram ambas importantes centros da Rota da Seda. Dá para imaginar os centros antigos com mais de 2.000 anos de história?

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Quando entramos no Tajiquistão, passamos a sentir na pele o que viviam os mercadores viajantes passando por áreas extremamente remotas na Pamir Highway – como é chamada a estrada de terra em que dirigimos na fronteira com o Afeganistão, aos pés da cordilheira do Hindu Kush por mais de 1.000 km. Esse trecho foi dos que mais agradecemos por estarmos com o Curumim, afial, carona e transporte público são praticamente inexistentes. Estar de carro na Rota da Seda, overlanding, além de dar aquela sensação maravilhosa de “não acredito que estou tão longe de casa com meu próprio carro”, barateia muito a viagem, seja pelo preço do diesel, a independência para o deslocamento ou a facilidade e segurança para camping selvagem em qualquer lugar. Além disso, fomos www.daytrippers.com.brDayTrippersUma volta ao mundo de carro em busca de aventura, cultura, fotografia e vier a vida! Na estrada desde janeiro de 2013. Rafael Ávila, Isabela Miranda e o Curumim (Defender 110)carregados de comida, pois pouco se encontra nas vendinhas dos vilarejos.

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Os próximos países trouxeram pouco da história da Rota da Seda, pois o que oferecem de melhor é a natureza e a partir dali muitas rotas já entravam pelo oeste da China rumo a Pequim. Das montanhas e lagos do Quirguistão ao extenso deserto do Cazaquistão, do verão da Sibéria, passando pelas vastas estepes da Mongólia, percorremos caminhos que desde os tempos da Rota da Seda eram percorridos por caravanas e ainda hoje abrigam povos nômades – overlanders como nós.

Foram mais de 20 mil km em nove meses até chegarmos ao ponto inicial da fantástica Rota da Seda no Extremo Oriente, Pequim, a capital da China, ainda hoje a maior produtora de seda do mundo.

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BUROCRACIAS DA  ROTA DA SEDA

A parte mais tensa de viajar nessa região não é o suposto terrorismo no Irã ou cruzar o deserto de Karakum, mas sim as famosas e caras burocracias da Ásia Central.

No Irã precisamos de uma aprovação do Ministério das Relações Exteriores para o nosso visto (US$ 50 por pessoa e 15 dias para ser processado). Outros cinco dias e mais US$ 30 para o visto em Trabzon, no leste da Turquia. Para o Curumim um “Carnet de Passage” temporário feito por um agente que contatamos meses antes (US$ 600 e 7 horas de fronteira). O Uzbequistão requer uma carta convite (US$ 70) mais US$ 74 do visto por cabeça. Com o visto uzbeque na mão, temos permissão de tirar o visto de trânsito de cinco dias para o Turcomenistão (US$ 55 e 15 dias para ser processado) e na entrada mais US$ 116 em taxas.

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No Uzbequistão, a obrigatoriedade de registros em hotéis dificultouo camping selvagem e encareceu a viagem. O Tajiquistão exige uma carta de apresentação feita pelo consulado brasileiro atestando que somos pessoas de bem e mais US$ 30 para cada um. Na fronteira, mais US$ 30 para o carro e outros US$ 7 de permissão para percorrer a região de Gorno-Badakhshan e a famosa Pamir Highway. Em Dushanbe, capital do Tajiquistão, emitimos o visto para o Quirguistão (US$ 50) e mais US$ 18 para a entrada do carro, e no Quirguistão fiemos o do Cazaquistão a US$ 30. Somou?

Além do gasto, imagine como é planejar as datas – os vistos são todos conectados, cada entrada e cada saída, onde tem consulado de determinado país que emita visto para estrangeiros, qual o lugar certo para fazer cada visto para que ele não expire antes da hora, como decidir quanto tempo fiar em um país que não sabemos se nos conectaremos ou não. E se gostarmos muito, teremos que seguir mesmo querendo fiar? Sim, esse foi o caso muitas vezes, pois estender um visto signifiaria estender os posteriores também. Diferentemente da América do Sul, na Ásia Central não é possível viajar só com o coração, é preciso planejar mais!

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