SEGREDOS DA CANASTRA (Parte 2)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #5 da REVISTA OVERLANDER

Parte 1 aqui >>>>  Também confira nossas recomendações de lugares Onde Ficar e Comer >>>>

Texto & Fotos: Robert Ager

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PARTE ALTA

Acordamos cedo e depois de um excelente café da manhã, estávamos mais do que prontos para mais um dia de trilhas. Originalmente, a ideia era dirigir diretamente para a Parte Alta, mas depois de conversar com a nossa anfitriã Gina, decidimos aproveitar a localização da pousada e conhecer primeiro a Cachoeira do Cerradão, uma das mais altas da Serra.

O topo é alcançado através de uma pequena fazenda e uma curta caminhada ao longo do rio. As vistas das encostas do norte da Serra são incríveis. Olhando para a borda, também pudemos ver exatamente onde estaríamos caminhando durante o resto da manhã, explorando a parte inferior da Reserva Natural da Cachoeira do Cerradão. Um parque muito bem organizado, composto por trilhas marcadas que seguem até o pé da queda. Vale a pena visitar!

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Voltamos, passando pela cidade, e seguimos para a Portaria 1 do Parque Nacional para explorar a parte alta. Esta é provavelmente a parte mais conhecida e visitada, mas devido ao fato de ser dia de semana e logo após as férias, o lugar estava tranquilo, praticamente apenas nosso.

O acesso é por uma estrada de terra que atravessa toda a extensão do parque, com trilhas menores se ramificando para os diversos atrativos. Além de algumas irritantes costelas de vaca, a estrada principal estava em boas condições. A parte mais difícil é logo após a portaria no percurso de subida ao topo e, dependendo do clima, um 4×4 alto é ideal.

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A maioria do parque pode ser vista de dentro do carro, mas há várias atrações ao longo do caminho, para sair e esticar as pernas ou fazer algumas caminhadas. Nossa primeira parada foi a nascente do rio São Francisco. O lugar em si não é instigante, mas seu significado é mais impressionante quando você percebe que a água daqui tem que viajar mais de 2.800 km através de cinco estados antes que finalmente chegue ao oceano em Alagoas.

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Seguindo pela trilha principal, chega-se ao Curral de Pedras, vestígios de uma das fazendas tradicionais de gado que operavam na serra antes de se tornar parque – foi um excelente local para nossa parada de almoço. Mais adiante, pegamos a saída para a parte alta da Casca D’Anta na extremidade da serra. Se você quiser, existe uma trilha a pé que desce até a parte baixa, mas lembre-se de que se estiver de carro, terá que voltar caminhando pela trilha novamente!

Com apenas um dia aqui no topo, tivemos que nos limitar a visitar apenas mais uma cachoeira. No entanto, há muitas atrações para ver e sem dúvida vale a pena reservar pelo menos mais um dia para a parte alta. Como já estivemos aqui outras vezes, recomendamos uma visita à Cachoeira do Fundão, mas é necessário um 4×4 e de passagem um pitstop na Garagem de Pedras.

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Terminamos com uma visita à Cachoeira do Rolinho, onde tivemos que pegar uma das trilhas mais estreitas com alguns trechos ruins. Poucas pessoas vêm até aqui, então a vantagem é que a chance de ver alguns dos famosos animais selvagens da região é maior. Embora estivéssemos atentos o dia todo, mesmo tendo visto dois tamanduás-bandeira a distância mais cedo, sabíamos que com o desvanecimento da luz, este momento seria nossa melhor chance de avistar os animais. Esperançosos como de costume, brincamos que, depois de anos na tentativa, talvez fialmente veríamos o raro lobo-guará.

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Alguns minutos depois, bem à nossa frente, vimos algo saltar para a estrada. Infelizmente não era um lobo, mas ver uma raposa também foi motivo de alegria. Enquanto observávamos, pensávamos que a nossa sorte acabara e que teríamos que esperar outra oportunidade para ver o tão esperado lobo. Mas estávamos errados! Com o sol quase baixo, a Grace de repente gritou:

— Olha lá, é um… lobo-guará!

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Obviamente, na hora eu pensei que ela estava brincando, mas fui verifiar por via das dúvidas. Então eu vi um lobo-guará solitário caminhando casualmente para o meio da estrada – nos olhou timidamente e seguiu para o outro lado pela alta vegetação. Eu imediatamente pulei do carro e tentei segui-lo, chegando o mais perto que ousei. Pode ser uma bela e elegante criatura, mas um lobo ainda é um lobo! Eu mantive minha respeitável distância. Depois de alguns minutos, que para nós pareceram horas, ele fialmente desapareceu no horizonte.

Um momento verdadeiramente mágico e definitiamente valeu a pena aqueles anos todos esperando.

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O QUEJO CANASTRA

O dia seguinte estava reservado para investigar e experimentar a iguaria local: o queijo Canastra. Apesar de que nós dois já conhecíamos e gostamos muito deste queijo, logo descobrimos que ainda tínhamos muito a aprender.

Amarelo e ligeiramente amargo no sabor, é feito a partir do leite de vaca cru não pasteurizado e, dependendo do tempo de maturação, pode variar bastante, sendo relativamente suave, semiduro ou até mesmo um queijo duro. Os queijos mais maturados se assemelham a um Parmesão ou Grana Padano — são uma delícia!

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Desde a época dos portugueses, tem sido tradicionalmente feito em quantidades limitadas em pequenas fazendas, com os habitantes locais acreditando que seu gosto especial é devido ao tipo de grama que só se encontra aqui na Canastra. Embora a maioria dos queijos ainda seja produzida dessa maneira, algumas fazendas maiores e mais modernas, com uma abordagem mais científia, estão começando a aparecer. Visitamos e experimentamos um pouco dos dois mundos.

Nada melhor do que começar visitando o sr. Zé Mario, um dos produtores de queijos mais famosos e tradicionais da região. Chegando a sua pequena fazenda, é exatamente como você imagina que seria. Uma alegre recepção do próprio Zé Mario, seguida de uma visita à cozinha, onde sua esposa dona Valdete está concentrada fazendo o queijo do dia, antes de se sentar conosco para bater papo e contar histórias sobre o queijo acompanhando uma boa cachaça caseira. Aparentemente, é o acompanhamento perfeito para o queijo — e quem somos nós para discutir? Uma maravilhosa experiência de uma tradição que não muda há séculos.

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Em seguida, fomos conhecer a Roça da Cidade, uma experiência bem diferente, mas igualmente gratifiante. Aqui, a fabricação de queijo é uma ciência com todas as ideias e tecnologias mais recentes sendo aproveitadas. O que pode faltar em charme tradicional compensa com uma fantástica experiência de degustação. Um atendente simpático e experiente nos apresentou os vários queijos e explicou o processo ao fazê-los, e em seguida nos ofereceu a chance de prová-los. Terminamos com uma visita guiada pela fazenda e sua linha de produção e saímos de lá não só abastecidos de queijo, mas também com um entendimento muito melhor sobre o queijo Canastra.

Independentemente da abordagem e do processo, uma coisa é óbvia: há uma verdadeira paixão pelo queijo nesta região. Não só é um produto excelente, mas parece que, fialmente, também está sendo reconhecido em nível nacional  e internacional!

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O MAR DE MINAS

A menos de 100 km de distância, por uma excelente estrada asfaltada, o nosso destino seguinte e muito diferente nos esperava. O Lago de Furnas, ou como é mais popularmente conhecido: o Mar de Minas.

Após o represamento do Rio Grande na década de 1950, este enorme reservatório mudou a geografia loal para sempre e criou uma nova atração turística. Para nós, seria uma chance de relaxar um pouco e trocar a poeira das trilhas por alguns dias na água, explorando seus famosos cânions e piscinas naturais.

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Nossa base, a Pousada Lagoa Azul, fia na beira da água e tem sua própria cachoeira e piscina natural, além de uma prainha e cais — perfeito para passar o tempo que desejarmos na água. Tudo isso atrelado a uma afetuosa recepção por toda a equipe tornaram nossa estadia ainda mais especial.

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No primeiro dia, estaríamos nas mãos do capitão Tatu, que nos prometeu a melhor experiência possível em seu barco e garantiu que nos levaria cânion adentro e que chegaria mais perto das cachoeiras do que qualquer outra pessoa. Ele até brincou:

— Meu barco já tem tantos riscos, mais alguns não farão diferença.

Ele cumpriu com sua palavra e nos levou o tão perto quanto ousávamos! Navegando pelo Vale dos Tucanos, passando ao lado da Cachoeira da Cascata e, fialmente, contemplando os grandes cânions, foi um dia maravilhoso com o Tatu, que nos manteve entretidos. Quem disse que apenas pescador tem história para contar?

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MAIS TRILHAS

Se você fiar apenas nesta região, caso não tenha tempo de visitar a Canastra e a Babilônia, mesmo assim há várias opções interessantes para conhecer a serra. Uma das atrações que visitamos foi a Trilha do Sol, onde uma série de trilhas levam você a vários cânions escondidos e cachoeiras. Na volta, para nossa sorte, passamos em frente ao famoso restaurante da região, o Rio do Turvo — parada obrigatória para experimentar a “traíra desossada”. Aprovado!

No dia seguinte, além de apreciar os cânions de cima, do mirante, e visitar a própria barragem, fomos conhecer outra trilha e as belas piscinas e cachoeiras do Paraíso Perdido. No entanto, o destaque, para nós, foi a Lagoa da Pedreira, menos conhecida, mas uma boa recomendação de um amigo de Atibaia. Um belo lago turquesa em uma mina abandonada, local perfeito para um piquenique e um refrescante mergulho ou simplesmente para relaxar e curtir.

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O nosso tempo, infelizmente, chegou ao fim, ms os últimos dias superaram nossas expectativas. Como todos os maravilhosos destinos, estávamos saindo com um sentimento de que devemos voltar mais vezes. Nossa maior recomendação é: se você tiver menos tempo, talvez apenas um fial de semana ou feriado, não tente fazer tudo. É melhor escolher a Canastra e Babilônia ou o Mar de Minas. Se você tentar fazer tudo, vai ser corrido e não conseguirá aproveitar o que ambos têm de melhor a oferecer

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