SUPERDICA – Darién Gap (Parte1)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #5 da REVISTA OVERLANDER ou Parte 2 aqui ou Parte 3 aqui

Um famoso trecho de floresta com algo em torno de 100-160 km e charcos que atravessam as fronteiras colombiana e panamenha. Não só separa dois continentes e corta a rodovia pan-americana, mas também quebra o mito de que se pode dirigir do Ushuaia ao Alasca. É preciso passar de navio pelo mar ou voar de avião!

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Ao longo dos anos, muitas ideias e projetos foram elaborados, mas, por várias razões políticas, militares e ambientais, todos deram em nada e não há planos para mudar isso tão breve. O Gap permanece.

Apesar da promessa comum de um serviço regular de ferry (balsa), ainda não existe e não há uma solução fácil para contornar o Gap. Todos os anos, overlanders entusiasmados procuram e comparam os vários métodos disponíveis para cruzar da América do Sul para a América Central da melhor forma, e mais econômica possível.

Com isso em mente, convidamos três projetos brasileiros, que acabaram de realizar a travessia, para compartilhar suas experiências – cada um da sua forma, dando dicas do processo. Conheça a história do primeiro . . .

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A TRAVESSIA – Terra Adentro (Sabrina Chinelato & Henrique Fonseca)

Cerca de um mês antes de chegarmos a Cartagena, já mantínhamos contato com uma empresa que havia sido bem recomendada por outros amigos viajantes: a Enlace Caribe. Por coincidência, acabamos conhecendo um casal de viajantes alemães que também planejavam embarcar o carro rumo ao Panamá. A ideia era dividir um contêiner de 40 pés com eles e reduzir quase pela metade os custos da travessia. Contudo, um problema repentino no motor da Defender deles os fez parar por quase um mês em Bogotá.

Como estávamos com os dias contados e não poderíamos atrasar o envio do carro, os alemães nos indicaram um americano, que viajava sozinho em uma Defender 110, e também estava interessado em despachar o carro o quanto antes. Fizemos contato com o Randall e, felizmente, nossas datas casavam perfeitamente. Fechamos os detalhes com ele e partimos rumo a Cartagena.

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Todo o trâmite de despacho do carro pode ser feito por conta própria, o que ajuda a reduzir bem os custos de envio. Contudo, sabemos que a burocracia é monstruosa e queríamos evitar essas dores de cabeça de qualquer forma. Fechamos a intermediação do processo com a Enlace Caribe, assinamos o contrato e estávamos à espera do dia correto para embarcar o carro. O custo total do contêiner de 40 pés foi de US$ 2.200, que, dividido por dois, gerou um montante de US$ 1.100 por cada carro. Porém, além deste valor, outros US$ 250 para cada um ainda deveriam ser pagos no Panamá, no momento da retirada dos carros do contêiner.

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Antes do despacho, estivemos no escritório da empresa e, menos de uma hora depois, já estávamos liberados. Passamos no cartório, na companhia de uma funcionária da agência, autenticamos alguns documentos e pronto, tudo estava organizado.

O dia de despacho do carro estava marcado para uma semana depois, 18 de abril pela manhã. Chegado o dia, nos dirigimos com o Mochileiro, nossa Land Rover Defender 110, para o escritório da Enlace Caribe. Logo depois, o Randall também chegou com sua Defender. Não sabíamos que, neste exato dia, mais dois brasileiros, o Breno Galvão e o Marcelo, também embarcariam seus carros rumo ao Panamá.

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Do escritório da empresa, os quatro carros seguiram rumo ao porto. Na entrada, apresentamos os documentos e nos mostraram onde estavam os contêineres a nossa espera. Esta, possivelmente, é a etapa mais trabalhosa e cansativa do processo de embarque do carro.

Passamos quase três horas à espera da polícia antinarcóticos, que deveria realizar uma vistoria. Antes de os policiais chegarem, o responsável pelo embarque nos pediu para retirar tudo que estava dentro dos carros e colocar sobre os suportes de madeira que estavam no pátio.

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Esta etapa é uma verdadeira confusão. Arrancamos quase tudo que estava dentro do Mochileiro, contudo, quando os policiais chegaram e começaram a vistoria, eles terminaram de jogar pelos ares tudo que permanecia nos armários. Ao fial dos quase 15 minutos de fisalização, restou uma bagunça que não víamos desde os tempos em que arrumávamos o carro para a partida da volta ao mundo. O calor insuportável dificultou a eorganização do Mochileiro e embarcamos com a bagunça espalhada por todos os cantos.

Liberada a entrada, seguimos primeiro com o Mochileiro, que passou com certa folga pelos 2,58 metros de altura da porta do contêiner de 40 pés. O carro foi amarrado com diversas cordas e logo seguiu o nosso amigo Randall. Com os dois carros no contêiner, amarrados, era hora de fechar a porta e inserir o lacre de segurança que havíamos recebido da Enlace Caribe.

Mais de cinco horas depois, trabalho concluído. O Mochileiro estava pronto para seguir rumo ao Panamá e nós, sem o nosso fiel amio, seguiríamos de avião.

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RECEBENDO O CARRO NO PANAMÁ

Oito dias depois, voltamos ao porto, desta vez em Colón, no Panamá, para retirar o Mochileiro do contêiner. Se todo o processo de envio foi um tanto quanto burocrático, a maior parte da burocracia ainda estava reservada para o Panamá.

Para começar, atrasamos dois dias para buscar o nosso carro, por conta de um imprevisto no voo do Randall. Mas, tudo resolvido, seguimos de ônibus para a cidade de Colón, ansiosos para reencontrarmos a nossa casa sobre rodas.

Ouvimos falar muito sobre a cidade, especialmente sobre os altos índices de violência e roubo. De fato, achamos a cidade muito estranha e verdadeiramente perigosa.

Chegamos a Colón antes das 8h da manhã e mal sabíamos que este seria um dia daqueles, sufocados pela imensa teia burocrática do país. Foram horas e mais horas carimbando papéis, pagando taxas e pegando táxis de um lado para o outro no sol escaldante de Colón. E ainda por cima carregando toda a bagagem do Randall, que resolveu ir de mala e cuia para retirar o carro do contêiner.

Finalizamos todo o processo às 16h, em um total de oito horas de um corre-corre sem fim. E, então, nossa viagem pela América Central começou de verdade.

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