TOTALMENTE DIFERENTE – Mongol Rally (Parte 2)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #2 da REVISTA OVERLANDER ou Parte 1 aqui ou Parte 3 aqui

Foi aos 14 anos de idade que vi imagens de uma paisagem que jamais esqueceria, as estepes da Mongólia. Slide após slide, um viajante alemão exibiu em meu colégio sua aventura pelas terras de Gengis Khan. Foi emocionante e inesquecível!

Veja a 2ª parte desta incrível história . . .

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Clemente Gauer

Finalmente chegara o dia da largada e a volta de abertura do rali no mais antigo circuito de corridas do planeta – Goodwood. Carro devidamente decorado com inflveis tropicais no estilo Carmen Miranda, pneus calibrados, muesli no estômago e partimos. Logo fomos ultrapassados pelas centenas de Nissan Micra e outros jovens e apressados carrinhos. Toda aquela pressa recuperamos no Eurotúnel, também evitando uma estrada congestionada, chegando assim rapidamente a Antuérpia, na Bélgica. Uma cerveja belga para os motoristas e um litro de óleo para o Citroën ao terminar o primeiro dia.

Não demorou muito para encontramos as rápidas Autobahns e já no segundo dia chegamos a Berlim, na Alemanha, não sem antes registrar a velocidade máxima de toda a nossa viagem: 127 km/h. Apesar da nossa velocidade, peso e arrasto do bagageiro, nosso Citroën provido de um motor parecido ao de um Fusca fez uma média de 15 km/l, número digno de carros populares e eficientesdo século XXI.

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Em Berlim nos encontramos com amigos, nos misturamos com os berlinenses em passeios de bicicleta e então nos despedimos da Alemanha e entramos na Polônia. A capital Varsóvia foi o ponto de parada escolhido. Fomos calorosamente recebidos por amigos aviadores do Gerard, Klara e seu namorado, ambos muito simpáticos e com belas sugestões de passeios. Assim como Berlim, aproveitamos o dia na cidade e concluímos que Varsóvia é um excelente lugar para se conhecer. Não imaginávamos a beleza da capital polonesa e a fantástica história vivida ao longo de todas as guerras dos quais foi palco.

Mais um litro de óleo no Citroën e continuamos a jornada até Vilnius, capital da Lituânia. Neste dia já sentimos um pouco daquilo que se tornaria a realidade no futuro – estradas estreitas, por vezes tortuosas, e muitas obras. Vilnius é realmente maravilhosa, pequena, charmosa e com sua história ainda bem preservada. Aproveitamos a passagem por Vilnius e partimos em direção à Letônia para, enfim, entramos na Rússia.

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Muitas obras, estradas ruins e trânsito, mas fialmente chegamos à fronteira entre a Letônia/Rússia. Seis horas de espera, encontramos outros amigos do rali, passamos por um tratamento um tanto ríspido, alguns mal-entendidos e por fim entamos um pouco apavorados na Rússia. Tudo era diferente, a língua ininteligível e a sinalização incompreensível. Estradas sem faixas, paisagem um tanto desinteressante e um clima bastante ruim e chuvoso.

Nosso GSA consumia os quilômetros com total confiana e distinção. Sua tinta fosca e queimada rendera 34 anos mais tarde uma belíssima pátina semienferrujada e um pitoresco bagageiro carregado com malas! Desde que havíamos saído da “séria e comportada” Europa, todos agora nos cumprimentavam com buzinadas e acenos. A alegria russa é contagiante. E assim, chegamos a um abastado e fino helipoto em Moscou, lugar onde encontraríamos nosso futuro e grande anfitião, Michael Farikh, o “Micha”.

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Imediatamente fui colocado dentro de um helicóptero, passei por uma série de acrobacias aéreas, então me foram dadas algumas instruções sobre cada um dos comandos e, sem mais nem menos, o Micha me entregou todos os comandos numa espécie de “toma e se vira” em russo, enquanto calmamente acendeu um cigarro. Enquanto obviamente eu perdia o controle do bólido, isso depois de voar com alguma estabilidade por meros 30 segundos, Micha com tranquilidade esperou o cambaleante helicóptero chegar a 10 metros do chão para só então retomar o comando e nos salvar de uma iminente catástrofe. Um a um, todos os três viajantes passaram pelas acrobacias do Micha e por uma consequente descarga de adrenalina, daquela que costuma durar dias . . .

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Do helicóptero fomos parar na vodca, é claro! Acompanhada de uma deliciosa carne de caça que o próprio Micha trouxera do Polo Norte em seu valente helicóptero, bebemos e comemos como reis. A qualidade de tudo que nos foi servido era tamanha que nenhuma ressaca ou indigestão foi sentida.

A Rússia sem dúvida foi um ponto alto da nossa viagem. Seu povo inicialmente frio em pouco tempo se transforma nos mais calorosos anfitiões que se pode imaginar. Sorridentes, alegres e com enorme prazer por uma roda de conversa e confraternização. De cidade em cidade, fomos conhecendo outros pilotos amigos do Micha e do Gerard. Voamos em muitos outros tipos de avião, com e sem acrobacias, com e sem churrascos, mas sempre com muita hospitalidade e carinho. E assim, dia após dia, fomos cruzando os milhares de quilômetros em direção à Mongólia.

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