TOTALMENTE DIFERENTE – Mongol Rally (Parte 3)

Veja esta matéria na íntegra na Edição #2 da REVISTA OVERLANDER ou Parte 1 aqui ou Parte 2 aqui

Foi aos 14 anos de idade que vi imagens de uma paisagem que jamais esqueceria, as estepes da Mongólia. Slide após slide, um viajante alemão exibiu em meu colégio sua aventura pelas terras de Gengis Khan. Foi emocionante e inesquecível!

Veja a última parte desta incrível história . . .

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Clemente Gauer

Cruzamos todo o sul da Sibéria, região da onipresente taiga, caracterizada por suas floestas de coníferas e infinits planícies. De início, a taiga é bem bonita, mas passados alguns dias, seus bosques e campos se tornam bastante monótonos. Paralelamente ao nosso caminho, estendia-se a famosa ferrovia Transiberiana e, assim como seus trilhos, chegamos à fronteira  da Mongólia.

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Sem qualquer problema com a polícia ou qualquer outro acontecimento, chegamos à imigração da Mongólia. Calejados pela fronteira russa, fomos surpreendidos pela interrupção do processo imigratório por conta do horário de almoço. Retiveram nossos documentos, restando-nos apenas a opção de aproveitar o tempo para substituir o jogo de rodas do Citroën por pneus com perfil mais adequadopara terra, afial essa seria a realidade na Mongólia. Após praticamente sete horas na fronteira, enfrentamos um choque de realidade. Estradas de terra desertas em péssimo estado, repletas de costelas de vaca e muita poeira.

O Gerard avisou: “Retornar para a Rússia vai parecer que estamos voltando para a Europa”, tamanhos eram os desafios em teras mongóis.

Pernoitamos em Olgi, cidade habitada em sua maioria por cazaques. Fizemos o abastecimento e preparos fiais para a travessia da rota da Mongólia central, caminho bastante difícil e pouco utilizado, porém com paisagem merecedora de nota. Apesar da hostilidade dos caminhos, a infraestrutura de comunicação nos vilarejos é excelente. Compramos chips para nossos iPhones sem sequer apresentarmos um documento e assim conseguimos continuar atualizando os blogs em alta velocidade, aliás, mais rápido que na Europa ou no Brasil. Quem diria!

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Viajar pela Mongólia é uma atividade diferente. Os caminhos pelas estepes se bifurcam em inúmeras opções de trilhas para o carro, cabendo ao motorista o extenuante trabalho de escolher a cada metro que caminho rodar. Às vezes o caminho escolhido não era bom ou então aos poucos se separava dos demais, nos levando na direção errada ou a uma travessia de rio desnecessária – um verdadeiro exercício mental que agora exigia um revezamento de motoristas mais frequente, de hora em hora ante os turnos de três horas praticados no asfalto.

A paisagem é realmente de tirar o fôlego. Montanhas de ambos os lados, algumas vezes nevadas e habitadas por nômades vivendo em yurts. Infinits e solitárias estepes até onde os olhos podem alcançar e pensamos na irrelevância de nosso tamanho perante a natureza. Por ora avistávamos iaques ou um grupo de camelos, e muitas vezes, enormes grupos de cavalos selvagens.

A Mongólia certamente é um país para se conhecer. A paisagem é extraordinária, a natureza é selvagem e seus habitantes são hospitaleiros e divertidos. O país atravessa uma violenta mudança de hábito. Sua população vem abandonando as estepes em direção a sua capital, Ulan Bator, onde a poluição e o trânsito são problemas bastante sérios. E pasmem, os carros mais populares da capital são os sofistiados Toyota Prius, comprados de segunda mão diretamente do Japão, razão pela qual grande parte deles tem o volante no lado direito. Em resumo, a realidade urbana não condiz com aquela de sua população nômade.

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A nossa fantástica viagem terminou em Ulan-Ude, cidade russa ao norte da capital mongol e à beira do majestoso lago Baikal, o mais profundo do planeta, com seus 1.680 metros de profundidade. A saída da Mongólia se mostrou bastante complicada na fronteira. Por pouco não perco meu voo de volta ao Brasil, mas com alguma perspicácia brasileira, conseguimos entrar na Rússia, aliviados.

Concluir nossa viagem sem maiores problemas foi muito gratifiante. Jamais imaginaríamos que um veículo com 34 anos de idade seria capaz de cruzar 13 mil quilometros sem quebrar, sendo destes, 3 mil quilômetros de caminhos fora de estrada, com muita areia, água, barro e pedregulhos. Foi uma verdadeira prova de perseverança, em que a cada momento tínhamos que dosar homeopaticamente a reserva técnica do carro, assim como a nossa energia física e os obstáculos no caminho.

O convívio em nosso Citroën também foi motivo de muita alegria e risada. Sim, no início tivemos um ou dois momentos de alguma fricção, mas sempre resolvemos essas questões com muito humor e transparência, geralmente ao fial do dia apreciando uma bebida local.

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Quando a má qualidade das estradas se tornou questão para um verdadeiro 4×4, a maneira de dirigir também passou a ser uma variável importante na estratégia da viagem. A sofistiada suspensão hidráulica foi levada ao seu extremo, seus componentes mal podiam ser tocados tamanho o calor que emanavam, mas em contrapartida, os quilômetros passavam bastante rápido. O Gerard dirigia como se pilota um avião, utilizando todos os recursos de modo a sempre garantir nossa chegada. O Dietrich tinha um bom equilíbrio entre ambos os modos, mas temia danifiar o carro, penalizando assim o time.

E, com a suspensão já com bastante folga, o vazamento de óleo ainda maior,  o marcador de combustível agora quebrado, chegamos vitoriosos a Ulan-Ude.

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